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Christopher Lee foi um dos atores mais prolíficos da história do cinema. Ele é reconhecido especialmente por seus papéis de vilões, dentre os quais Saruman, Frankenstein, A Múmia, Conde Dooku, Francisco Scaramanga e Drácula.

Lee nasceu na Inglaterra em 1922, filho de Estelle di Sarzano (uma condessa italiana), e de Jeffrey Lee (um ex-coronel do exército britânico).

Seus pais se separaram quando ele tinha apenas seis anos de idade, o que provocou seu abandono precoce dos estudos. Começou a trabalhar muito cedo como única opção de vida. Seu primeiro emprego foi o de office boy.

Na fantástica trajetória de sua carreira, Lee adquiriu um vasto repertório de conquistas e habilidades. Atuou em mais de 250 filmes. Falava em sete línguas. Foi jogador acadêmico de hockey, squash, rugby e golf. Atuou como cantor de Metal e música clássica. Era especialista em literatura fantástica. Foi narrador e dublador de produções televisivas. Além de tudo isso, ele se tornou um verdadeiro herói da II Guerra Mundial.

Seus espetaculares feitos em vida – carreira militar, atuação no cinema e na música – serão relatados a seguir:

Guerra

No primeiro ano da II Guerra Mundial (1939), Lee morava na Finlândia. Ele atuou por lá como voluntário em um grupo de guerrilha inglês, embora apenas recebesse ordens secundárias de capitães que não lhe confiavam grandes responsabilidades.

Entediado, ele decidiu então voltar a seu país.

Em 1940, com 18 anos de idade, Lee se alistou na Força Aérea Britânica, onde trabalhou como oficial de inteligência em operações secretas contra a resistência nazista.

Em seguida, ele foi enviado ao norte da África como agente infiltrado da Long Range Desert Patrol, rede militar precursora da SAS (unidade de elite das forças especiais de guerra).

Tendo sobrevivido heroicamente em territórios hostis, Lee voltou à Inglaterra novamente para atingir o ápice de sua carreira militar: ele foi designado ao Executivo de Operações Especiais (mais conhecido como o grupo de guerra liderado por Winston Churchill). A missão deles era muito simples: “Pôr a Europa em chamas”.

Lee sempre foi elogiado por sua honra nos esforços militares. Mas, infelizmente, é bem comum que veteranos de guerra sofram de estresse pós-traumático, e Christopher Lee sofria. Ele nunca se sentiu confortável falando sobre suas experiências nos campos de batalha, justamente pelas cicatrizes psicológicas desses traumas que ofuscavam seu orgulho. 

Em um raro depoimento sobre essa fase conturbada, o inglês afirmou:

“Quando você está envolvido em uma guerra vale aquele ditado de que, se o seu nome está escrito em uma bala, não há nada que você possa fazer. Eu realmente estive com muito medo em algumas ocasiões, e qualquer um que dissesse não estar com medo era um mentiroso. Durante a guerra você é ensinado a matar, e tem a benção das autoridades para fazer isso.”

Perguntado sobre como ele lidava com a questão da morte, Lee falou:

“Eu já vi tantos homens morrerem na minha frente que me tornei uma pessoa endurecida. Você vê o pior que um ser humano pode fazer ao outro; os resultados da tortura, mutilação; e alguém ser despedaçado por uma bomba: você acaba desenvolvendo uma espécie de ‘concha’. Mas você tinha que fazer isso, caso contrário, nunca teria vencido.”

Cinema

No ano de 1947, Lee assinou contrato com uma produtora de filmes interessada em suas habilidades como ator. A partir daí sua carreira deslanchou.

Ainda hoje Lee é considerado o “Eterno Drácula”, título que o consagrou. Essa consideração, no entanto, não o agrada. Numa entrevista dada antes da estreia mundial de A Sociedade do Anel (2001), ele respondeu ao repórter que tocou no assunto:

“Por que sempre temos que voltar ao Drácula? Não tem por quê!”

Realmente, não existem muitas razões para Lee ficar feliz por esse foco da mídia em um único personagem, levando em conta o seu imenso portfólio.

Lee participou de um dos filmes do 007, como Francisco Scaramanga em The Man With The Golden Gun. Esse papel não lhe foi dado por acaso, já que ele é primo de Ian Fleming, criador do personagem James Bond.

Sir Christopher Lee foi o Count de Rochefort em Os Três Mosqueteiros, representou a Múmia e o monstro de Frankenstein. Também atuou em Star Wars como Conde Dooku.

Ele é a única pessoa a ter feito o papel de Sherlock e Mycroft Holmes simultaneamente, e também representou Sir Henry Baskerville.

O inglês sempre será lembrado pela magnífica personificação do mago Saruman. Inclusive, ele é o único ator de O Senhor Dos Anéis a ter encontrado pessoalmente J.R.R. Tolkien, criador da obra.

Pelo fato de ter vivido a realidade da guerra, Lee aprendeu como ninguém a encenar um duelo: ele apareceu em cenas com lutas de espada mais do que qualquer outro ator na história do cinema.

Música

Seria de se imaginar que, como consequência de sete anos guerreando por sua nação (e tentando sobreviver nesse processo), Lee passaria a maior parte de seu tempo futuro retraído em memórias dolorosas. Mas não foi dessa forma. Em vez de minar, a guerra acabou aflorando seu intelecto e potencial criativo.

Logo após ter servido pela Inglaterra no front, Lee se inscreveu como membro oficial do Coral da Ópera de Estocolmo. Ele flertava com o universo da música clássica, pois havia aprendido tudo sobre isso com seus pais, os responsáveis diretos pela criação da primeira companhia de ópera (idos de 1850).

Dos profissionais de ópera que atuavam na Suécia, dizia-se que Lee era o cantor mais talentoso da época. Mas havia um problema: o salário era extremamente irrisório. Por insuficiência financeira, ele desanimou da perspectiva de cantar. Mesmo assim, ele continuou investindo em sua voz.

Como músico, Lee atingiu um marco histórico surpreendente: ser o vocalista mais velho da história a compor um álbum de Metal, com 92 anos de idade. Muito elogiado pela crítica especializada, ele diz:

“Associo Heavy Metal à fantasia por causa do tremendo poder que a música proporciona.”

Para comemorar seu 90º aniversário, ele performou a música ‘Let Legend Mark Me As The King’, uma co-criação com a banda Judas Priest.

O inglês também já cantou com os americanos do Manowar, e gravou algumas músicas com os italianos do Rhapsody Of Fire.

Christopher Lee foi um mestre da música clássica. No vídeo abaixo tem-se uma boa noção do alcance de seu timbre vocal:

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Todo sábado enviamos um e-mail com os artigos da semana. Entre em nossa lista:

  • Sou fã, longa vida a Sir Christopher Lee

  • !!

    MITO! Tomara que viva muitos anos mais e continue nos agraciando com suas excelentes atuações.

  • Eduardo Ruano

    Long live!! : )

  • Eduardo Ruano

    Até os 100 ele chega!

  • Antonio

    Ele demonstra que vc pode fazer e gostar de diversas coisas sem se preocupar em ser rotulado a um determinado gênero musical , a diversidade de poder gostar de vários tipos de música, porque não escrever se gosta, porque não atuar se gosta, e ate na decisão de lutar , vivenciar esse momento difícil da civilização, e a partir dai tirar suas conclusões, isso se chama viver sem se preocupar com rótulos, muito legal !