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É no dia 27 de agosto que inicia, em Passo Fundo, a 15ª Jornada Nacional de Literatura. Representando o La Parola, tentarei fazer uma cobertura maluca do evento. Nada mais justo que cobrir um evento literário de forma romântica, poética, gonza, crítica, criativa, pessoal e o caramba.

Aproveitando a chegada da Jornada, reproduzo um texto de minha autoria, fabricado após o encerramento da 13ª edição, no ano de 2009. É tudo que tenho para demonstrar o quão interessante um evento desse porte pode ser para uma pessoa. Infelizmente, não participei da Jornada anterior, de 2011, já que estava em um ano sabático em outros horizontes, mas isso ninguém perguntou e pouco importa até aqui. Fica o texto que estava até então engavetado:

A Jornada é uma namorada

Já tive vários casos na vida, mulheres, guitarras, automóveis e motos foram os mais frequentes. Tive por várias outras coisas, mas nunca tinha experimentado um caso com um evento. Namorei a Jornada de Literatura durante a semana inteira de forma intensa como qualquer romance clichê. No primeiro dia, expectativa. Será que ela é tudo o que eu espero? Será que eu vou conseguir causar boa impressão? Vou querer conhecê-la melhor ou será só mais uma? Deu tudo certo, amor à primeira vista, da estrutura circense aos convidados especiais na cerimônia de abertura, em especial o homenageado Pedro Bandeira, um dos grandes responsáveis pela iniciação literária a vários jovens brasileiros, incluindo este cronista.

Um apaixonado de verdade é aquele que sente vontade de dormir depressa para que o dia seguinte chegue logo junto com a amante. A ansiedade não deixou, dormi pouco e acordei cansado, mas disposto. O segundo dia é a confirmação da paixão, quando a pessoa se sente cego ao mundo exterior, e o fato é que poderiam perguntar a mim qualquer coisa que estivesse acontecendo no mundo fora da Jornada que eu não saberia responder nada, dediquei e foquei atenção máxima à minha nova namorada, àquela vida virtual.

De carona com a terça-feira chegou o calor. A temperatura quase que insuportável para quem estava acostumado com o frio subiu ao extremo, cozinhou o Circo da Cultura e, literalmente, a paixão esquentou (meu deus, que frase mais vinheta de novela! Globo, me contrata!). Além do palco principal de debates, tinha atrações paralelas e exposições. Mais do que um circo, era um parque cultural. A noite neste Circo terminou com uma promessa, “te encontro mais tarde pra gente tomar uma cerveja”. Com tantos escritores, músicos e poetas a noite só poderia terminar quando o sol raiasse e as portas do bar fechassem.

Algumas das melhores amizades foram feitas nas mesas de bar e esquecidas na ressaca da manhã seguinte, mas o êxtase de uma noite seguido de uma primeira vez bem sucedida só abre espaço para um bis. De intenso a doentio, na quarta-feira brigamos. Me deixa respirar. Preciso de um tempo. Eu vivo a tua vida mais que a minha. Várias desculpas passaram pela minha cabeça ao dizer que, por um momento, enjoei daquilo tudo e fez com que eu voltasse para casa escrever esta crônica… (continua)

jornada nacional de literatura passo fundo foto guilherme benck (1)
A imagem é de outra edição, mas isso pouco importa, a namorada é a mesma
Foto: Gui Benck

… e no meio da noite acordo arrependido depois de ter passado a tarde deitado ao lado de dois Dramins. Não consegui pregar o olho e fui cedo ver a Jornadinha. Pedi desculpas e não desgrudei um minuto de lá, atitude típica. Agraciei durante toda a manhã e pra deixá-la feliz comprei até mais um livro. Reclamei do sol e sentei na sombra, deitei na sombra e dormi na sombra. À tarde fomos derretidos no Circo da Cultura, um belo ensopado de suor e uma benção para as lancherias da praça de alimentação que vendiam garrafas d’água às toneladas.

O sol caiu e o calor ficou. A cerimônia de encerramento despertou catalépticos e libertou os astronautas, como citou Tom Zé na derradeira apresentação da 13ª Jornada Nacional de Literatura. Estendi a noite por mais umas horas, mas quando acordei no outro dia ela já tinha partido e tirado tudo que deu para mim. Agora, dois anos de expectativa por um reencontro de apenas mais uma semana, uma semana maior que esses dois anos.

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Flaubi Farias

Jornalista, parolo, navegador, alienígena e editor do La Parola.
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