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Foto: Divulgação
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Confesso que de início fiquei eufórica. A primeira vez que vi a multidão que me seguia pela Av. João Pessoa em Porto Alegre, meu coração disparou e eu senti que estava vivendo algo que nunca antes poderia acreditar que viveria. Depois de algumas horas, depois de alguns dias a minha euforia se transformou em raiva, depois em angústia e por fim em medo.

Agora eu já nem sei mais o que sinto. Nunca tive tantas dúvidas sobre o futuro do país quanto agora. Simplesmente não consigo imaginar como será o desenrolar desse “Gigante” que acabou de acordar. Na verdade eu acredito que não existe nenhum gigante nessa história.

O que eu vejo de verdade é uma parte dos jovens, que nunca dormiu, sendo agora apoiada por um gigante sonolento, que está por fora de tudo que aconteceu e que pouco pode raciocinar. É o nacionalismo “oco” que cai nas ruas sem ideologia, que pouco sabe da razão de estar ali, levado pela onda do “vem pra rua!”. Misturado a isso, estão as várias classes de oportunistas, a grande mídia é uma delas, que troca de lado, de opinião, de foco, de ponto de vista a cada dia, e vai assim, moldando a opinião de quem cegamente procura se informar através da TV e do jornal. Além disso existe o mau-caratismo das pessoas que aproveitam a manifestação para saquear e prejudicar pessoas que são tão vítimas quanto os que estão na rua protestando por direitos básicos.

Quando fiquei sabendo por telefone sobre as cinco mil pessoas nas ruas de Passo Fundo (RS), pensei “como eu queria estar lá”. Sentimento de quem era ridicularizado anos atrás por estar gritando no campus de uma universidade particular por uma tarifa mais justa do transporte público. Esse sentimento simplesmente se desmanchou quando cheguei na cidade e percebi que isso tudo era uma empolgação momentânea. Na manifestação programada para ontem (segunda-feira 24/06) haviam cerca de 100 pessoas apenas. Ironicamente as pessoas que foram hostilizadas na histórica manifestação anterior por carregarem bandeiras.

Porém isso é uma realidade totalmente fora de contexto. Em Porto Alegre, uma guerra declarada acontece toda segunda e quinta-feira. São extremos que trazem mais e mais dúvidas sobre o desfecho dessa Era que já é histórica. Dos poucos resultados que tivemos, uns positivos outros nem tanto, é inegável que toda essa onda de indignados está gerando uma nação mais politizada, mais preocupada. Hoje já não se escuta tanto a frase “eu odeio política”, porque simplesmente não cabe mais estar por fora disso. Nem mesmo em período eleitoral se fala tanto em política como agora. Isso de alguma maneira é positivo.

Quanto a uma mudança de atitude do governo perante as exigências básicas do povo, fica difícil saber o que realmente irá acontecer. Assim como na eleição, promessas são apenas promessas até serem cumpridas. Depois de tudo isso, e da situação praticamente fora de controle, esse “gigante” sonolento precisa de um verdadeiro despertar. Um despertar de consciência sobre o que está acontecendo e entender que há algo muito errado em cada um de nós. Nosso governo é apenas reflexo de uma nação que sempre busca resolver as coisas com um “jeitinho esperto” conhecido no mundo todo como tipicamente brasileiro. Então você que é “brasileiro com muito orgulho com muito amor” queira mudar o Brasil começando por si mesmo.

Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda a gente anda pra frente. E quando a gente manda ninguém manda na gente! Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro. Na mudança do presente a gente molda o futuro!

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Juliana Acco

Jornalista, gaúcha, alérgica a corante vermelho e consumidora frenética de informação. Gosto do simples, minha casa é minha mochila e minhas raízes estão nas nuvens. Moro em qualquer lugar, desde que tenha sombra, água fresca e Wi-Fi.