Imagine um mundo sem Les Paul. Vou facilitar: Imagine o solo de Whole Lotta Love, gravado por Jimmy Page, com outra guitarra. O mundo não seria o mesmo, definitivamente.

O que dizer de uma guitarra que é versátil, confortável, cheia de presença, linda e com uma sonzeira? Até hoje não conheci nenhum guitarrista que não goste de Les Paul (e nem quero conhecer). Até porque é impossível não gostar de pelo menos um destes icônicos guitarristas:

 

Todos usaram – ou ainda usam – Les Paul em várias gravações, shows, ensaios e quartos de hotel. Esqueci certamente de alguém importante. E isso só realça a grandeza da Les Paul no mundo musical.

Como toda obra-prima, a Les Paul teve o seu “rascunho”. E é sobre isso que vamos falar, mas mais adiante, já que seria injusto falar da obra sem mencionar antes o seu criador.

Les Paul

Lester William Polfus nasceu em 9 de junho de 1915 na morosa cidade de Waukesha, no estado do Wisconsin, Estados Unidos. Foi um grande músico, sendo escolhido para ocupar a 18ª colocação na lista dos maiores guitarristas de todos os tempos da Revista Rolling Stone. Mesmo tocando demais, sua principal criação foi mais material do que artística.

Les-Paul

Lester começou cedo na música, tocando gaita de boca. Nesta época, tinha apenas 8 anos de idade e na falta de Super Mario, Pokemón e smartphones, gastava seu tempo estudando música. Aprendeu banjo e guitarra precocemente, tornando-se músico profissional aos 13 anos. Começou no country, mas expandiu seus horizontes tocando também jazz e blues.

Antes de seus inventos, formou uma dupla de música country de grande sucesso com sua esposa, Mary Ford, entre as décadas de 1940 e 1960. Após se divorciar em 1962, seguiu tocando e fazendo algumas participações especiais. O maior destaque são os dois álbuns gravados com outro mítico guitarrista, Chet Atkins: Chest and Lester (1976) e Guitar Monsters (1977).

Além de inventar a famosa guitarra, tema central deste texto, Lester foi pioneiro ao utilizar a gravação multi-canal, a base de todas as gravações modernas. Em 1948, gravou oito takes de guitarras para a canção Lover. O lado B do single, a canção Brazil, foi gravado de forma similar. Antes disso, todas as músicas eram gravadas em apenas um canal. Era mais ou menos como gravar o ensaio da banda em um celular.

Les Paul’s Log

Les Paul foi um dos pioneiros na invenção da guitarra elétrica de corpo sólido, mas não há como dizer que alguém inventou sozinho o instrumento. As guitarras elétricas foram se desenvolvendo com o passar dos anos. Outro pioneiro de imensa importância foi Adolph Rickenbacker, que manufaturou alguns protótipos durante a década de 1930. Posteriormente criaria uma linha de instrumentos musicais conhecidíssimas no mundo todo. Exemplos básicos e simples para não encher linguiça: John Lennon e Lemmy.

Log Les Paul
The Log

A biografia de Les Paul, no entanto, revela que a ideia de inventar uma guitarra de corpo sólido o acompanhou desde sua infância. Quando tinha 12 anos, Lester amplificou um violão pela primeira vez. Para que a plateia mais distante pudesse ouvi-lo, fez a primeira grande gambiarra amplificando o som com uma agulha de toca-discos, um telefone, um rádio e um gravador. Improvisações como essa, deram a Lester alguns apelidos como The Wizard of Waukesha e Thomas Edison da música.

Em 1939 começou a criar um protótipo para a sua primeira guitarra, batizada como “The Log”. Dois anos depois, Lester apresentou seu protótipo aos executivos da Gibson, que riram da ideia. A Gibson achou tudo tão ridículo que zombou de Lester, chamando-o de “garoto da vassoura com captadores”. Naquela época, nenhuma empresa estava comercializando guitarras de corpo sólido. Lester tentou inovar, mas foi barrado. Uma década mais tarde a Gibson se arrependeria.

A Consolidação da Les Paul

Nos anos 1950 a Gibson estava tomando um laço da Fender. Tudo porque o seu criador, Leo Fender, já havia começado a produzir uma guitarra de corpo sólido. Mesmo antecipando-se à concorrente, Leo Fender só havia iniciado o seu protótipo em 1944, três anos após Lester ser rejeitado pela Gibson.

Em 1950, foi lançada oficialmente a Fender Broadcaster, posteriormente renomeada para Telecaster, a primeira guitarra com corpo sólido disponível comercialmente. A Gibson se apavorou. Foi após apanhar bastante da concorrente que resolveu aderir à invenção de Les Paul.

No ano seguinte, a Gibson entrou em contato com o “garoto da vassoura com captadores”. A Gibson desejava manufaturar o modelo da guitarra de Les Paul, mas foi um pouco relutante ao aceitar o nome. A ideia de batizar a guitarra de Les Paul partiu do próprio criador. Sem alternativas, a Gibson aceitou e a primeira Les Paul foi lançada em 1952.

O primeiro modelo da Les Paul, com o acabamento dourado, ficou conhecido como Gold Top. Com o sucesso da nova guitarra, Les Paul e a Gibson produziram novos modelos. Em 1954 foram lançadas versões customizadas com outras cores, como a Black Beauty, e em 1958, a Gold Top foi substituída pelo modelo Sunburst Standard, possivelmente o mais famoso de todos. O modelo original Gold Top ainda seria relançado em 1968, 1982 e 1987.

Hoje, o modelo Les Paul não é exclusividade da Gibson. Obviamente nenhuma Les Paul soa tão bem como uma Gibson, mas o modelo passou a ser reproduzido por inúmeras outras marcas. A Epiphone, linha júnior da Gibson, é certamente a melhor alternativa para quem ainda não tem como investir em uma Les Paul original.

Lester William Poulfus morreu em 12 de agosto de 2009 de pneumonia, mas seu legado será eterno.

 

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