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“Independência ou morte”, essa é a lei dentro da música nacional hoje em dia. Lendo assim até parece algo ruim, mas não é. Se mostrar autossuficiente dentro de um ramo marcado por contratos falhos e aproveitadores é algo grandioso, difícil, mas absolutamente respeitável. E o Cuscobayo é mais uma banda que tenta se manter com sua própria conta em risco.

O grupo oriundo da terra do chimarrão se mantém tal qual as características de seu som, sempre por aí, “soprando no vento”, como diria Bob Dylan. O quinteto pratica um Folk de refinada qualidade e bom gosto. São tramas instrumentais que tentam se desvencilhar do lugar comum, surgem temperadas com um trompete em camadas Jazz, relembram o som de um oportuno ukulele e culminam em uma jam boa praça que toma conta do ambiente, tal qual uma roda de amigos numa bela sessão de butecagem.

Só que a troca de ideias no ambiente familiar do bar está ficando séria. A banda está aquecendo a viola para adentrar aos estúdios, e para isso o coletivo resolveu levantar a grana necessária. O método utilizado foi o popular “Pague quanto quiser”, vulgo crowdfunding.

E para endossar o gostinho final, o que sustenta toda essa ideia é o EP dos caras, a primeira gravação, o delicioso “Na Cancha”, o aperitivo de um disco que tem tudo para sair. A verba está sendo levantada e a banda tem tudo para tirar um Folk no estúdio. No fim destas linhas vocês terão pleno acesso a um link que deixa os detalhes ainda mais explícitos, porém creio que o mais importante seja a música, que aqui é importantíssimo ressaltar, é de altíssima qualidade.

O Cuscobayo não vai mudar o mundo, essa sonoridade não é algo que nunca foi feito, ou explora pirotecnias experimentais revolucionárias, não, mas eles são bons, sinceros e apresentam conteúdo, tanto na parte das letras quanto no instrumental.

O pior defeito de “Na Cancha” é possuir apenas 14 minutos de duração, mas de forma nenhuma isso compromete o trabalho, é algo bem parecido com o que o Murilo Sá fez neste ano. Antes de lançar o ótimo “Sentido Centro”, o baiano liberou “Promo EP”, que foi um aquecimento para seu full length, e a ideia aqui é a mesma.

Começando com “Ô, Vagabundo!”, uma música que ao vivo deve levantar até o pessoal da ala preferencial. Os vocais são harmoniosos, a percussão é pontual, mas o que rouba a cena são os trompetes uivantes ao fundo.

Acho que por se tratar de um “resumo” do que a banda pode fazer, esse EP também aposta na diversidade. “Amenidade” por exemplo surge com uma pegada mais roots Jamaica, vocais mais calmos, um ótimo acompanhamento, e mais um pouco de trompete, uma embriagante linha Jazz! Depois os caras voltam para a varanda do bar com “O Tempo Que Te Resta” e finalizam o tira gosto com a faixa mais interessante do disco, a batida à la maracas de “Vaguear Perdido”, tema com nome em nossa língua nativa, mas que ao ser cantado revela uma fluência espanhola à la Gypsy Kings. Boa sorte, Cuscobayo, espero sinceramente que consigam gravar este disco, belo som.

Link para mais informações: catarse.me/pt/cuscobayo.

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Guilherme Espir

Publicitário em formação, zappamaníaco e escritor de fundo de quintal fissurado em música tal qual um viciado à espera da próxima dose, neste caso aguardando em abstinência para o próximo disco.