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Foto: Mídia NINJA

Pouco menos de um mês após as manifestações que mobilizaram mais de um milhão de pessoas em todo o país, fica difícil passar por lugares como Rua Augusta e Avenida Paulista, alvos e ninhos da aclamada revolução popular, sem um sentimento diferente. Talvez aqueles que vivem por lá e cruzam aquele asfalto todos os dias não sintam a mesma estranheza, mas como moradora do interior do Rio de Janeiro, São Paulo nunca mais será a mesma para mim.

A maior cidade da América Latina naturalmente intimida e a crença de que não existe amor por lá se disseminou rapidamente. Por outro lado, sempre pensei o contrário. As ruas de São Paulo, a agitação, os rostos e nacionalidades tão diferentes… Tudo sempre me pareceu tão atrativo e meu coração ainda bate forte sempre que piso em solo paulistano. Hoje, com tanta força correndo pelas vigas, o impacto da cidade é ainda maior.

Não fui às ruas em São Paulo. Por morar em outra cidade, não pude ir às ruas de Barra Mansa. Estava na estrada quando Angra, a nova cidade, protestou. Passei por tudo de dentro de ônibus, pela internet, lamentando e tentando chegar a tempo. Não consegui. Senti, no entanto, como jornalista em formação, a emoção dos presentes, que não sabiam estar sendo entrevistados.

“Jogaram uma bomba de gás lacrimogênio dentro de um apartamento do meu prédio. Jogaram no sétimo andar porque o cara estava filmando pela janela.” disse a irmã de uma amiga, moradora da Bela Cintra.

“Passei pela rua depois que uma bomba havia sido jogada e senti arder o nariz e os olhos. Não havia mais ninguém na rua e os efeitos ainda estavam lá. Não imagino como seja tomar uma dessas”, falava um colega de trabalho.

Passamos por muito. Os que estiveram na rua, apanharam, sofreram a represália e correram riscos, ainda mais. A eles, nós que ficamos em segurança física, devemos muito. Nossa gritaria, confusão, propagação de informação – tudo valeu. Houve resultados efetivos, sim. Várias cidades, entre elas capitais, baixaram as tarifas de ônibus desde o início da manifestação, mas “não é (só) pelos vinte centavos”. Tocamos o poder do povo. Encontramos o espírito de luta que há tanto se mostrava letárgico. E podemos mais.

É nosso direito e poder, principalmente com representatividade provada, buscar por mais. Reforma política, sim. Desbancada da corrupção, também. Saúde e educação de verdade, por que não? O que sonhávamos sem acreditar hoje se tornou possível e agora, pela primeira vez em anos, depende de nós.

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Larine Flores

Larine Flores. Quase-formada em Jornalismo, vegan, feminista, apaixonada pela escrita e workaholic.

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