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Início de ano bate à porta e traz consigo todos seus clichês e suas respectivas reflexões. Hora de repensar os 365 dias passados, e quiçá repensar a vida. É uma tradição fazer isso, mesmo que não perceba inconscientemente de um jeito ou de outro todos acabamos fazendo essas retrospectivas. Nada contra, mas às vezes, pode causar um certo desânimo, uma certa nostalgia. Em contrapartida, de forma paradoxal vem igualmente aquela sensação de renovação. De desapego às magoas, aos erros, às lagrimas derramadas, às frustrações e demais coisas da vida. Ah, o ano novo… Tantas falácias ao seu respeito. Há quem prefira encarar como mais um data comum, apenas um dia que se modifica no calendário, assim como tantos outros, somente mais um avançar dos ponteiros, uma rotineira mudança naquilo que é tão relativo e abstrato, o tempo.

Porém, muitos encaram como um novo ciclo, um com 12 meses de presente, uma nova chance, nova oportunidade. Concordo que podemos enxergar todos os dias dessa maneira, no entanto, penso que é preciso dessa tradição cultural de renovar a fé com o romper do ano. O ser humano sempre precisou se agarrar a algo que o renove a esperança, e o que poderia ser mais propício que uma modificação no calendário? Um pacote de doze meses novos em folha como se tivesse sido comprado em alguma loja, ou supermercado.

“Um pacote de 365 dias inéditos e ímpares, por favor!”.

“Sim senhor, gostaria de informar que esses dias vem divido em meses, mais especificamente, doze deles”.

“Ótimo, é isso mesmo que estava a procura”.

Não sou muito fã de clichês e tento enxergar as coisas por uma outro ótica além de senso comum, mas não posso negar que a virada de ano traz esperanças para muitos que precisam, nem que por uma breve fração de segundos acreditar de fato em algo, ou alguém. Acreditar é preciso. Onde a humanidade iria parar se não tivesse fé? Fé nas pessoas, no vizinho, na natureza, no amanhã, fé no amor. Fé em toda forma de amor, porque essa é a principal missão, amar o próximo, a vida, simplesmente amar. E quem ama faz. Faz do nascer do novo dia uma oportunidade, faz do inverno primavera, do passado uma bússola, do amanhã a esperança, e da vida uma escola.

Que ao iniciar janeiro não venham falsas expectativas que tudo irá mudar, mas que antes de tudo venha a genuína vontade de mudar, que venha a vontade de perdoar, o desejo incessável de amar e fazer do mundo um lugar melhor, do seu próprio mundo um lugar melhor. Nada vem da noite para o dia, a não ser meras ideias, que não trabalhadas ficarão para sempre no campo das ideias. Isso me parece tão solitário, uma ideia que poderia ter potencial viver a vida inteira num lugar imaginário, vasto.

Às vezes, por muito esperar a hora certa, deixamos o tempo passar. Tomamos decisões que com o passar do tempo vemos que poderia ter sido diferente. E então o verbo mais conjugado se torna o futuro do pretérito e não o presente. Sem arrependimentos que prendam e impeçam de avançar, sem medo excessivo de errar, mas mais do aqui e agora, pois, a vida é agora, é aqui é hoje. Você vê o momento atual como um belo presente em suas mãos, pois a vida acontece para quem aprende a viver.

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Letícia Moreira

Letícia Moreira

Estudante de letras-francês,apaixonada por todo tipo de arte, especialmente literatura, música, cinema, teatro. Amo os felinos e tenho 3 gatos. Escrevo de tudo um pouco, mas especialmente sobre cultura e relacionamentos e também me desperta muitíssimo interesse assuntos sobre psicologia.
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