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Discurso vazio é pouco. Aécio Neves domina a arte da retórica, enquanto Dilma se esforça para criar uma sentença de efeito para contra-atacar os argumentos do oponente.

Aécio, sacana, se esquiva das polêmicas e se refugia em Minas, onde as coisas parecem ir de vento em popa. A saúde está ótima e a educação também – é o que ele diz. Aécio cita dados e sorri de lado, contente com a sua incrível capacidade de fugir do páreo.

Ah, se a Dilma conhecesse tão bem quanto o seu oponente as falácias que impregnam o discurso, talvez a situação fosse outra. Ela diz a verdade e ele diz o que convence eleitores.  Não mente, mas omite.

Dilma cita o aeroporto tucano em Minas, como se já não tivesse falado o bastante sobre o tema no primeiro turno. Não funcionou daquela vez e não funcionou agora. “Novo governo, nova política”, é o que ela diz no programa eleitoral. Mas nenhuma nova estratégia é apresentada no confronto. Mais do mesmo.

Aécio usa as palavras da oponente e reacende o discurso “Fora PT”. Nenhum dos dois levanta propostas de governo. O povo brasileiro é quem perde. O primeiro debate do segundo turno é claramente um duelo para saber qual dos candidatos é melhor no uso das palavras.

Dilma, numa última jogada, levanta uma bandeira feminista: violência contra a mulher. E acerta, faz bonito. Aécio, como sempre, toma para si o problema e diz que o seu governo está atento a essas demandas. Mas o seu riso sarcástico não engana, não é uma questão urgente, nem mesmo pauta do seu governo, tratar da proteção da mulher.

Irônico, sarcástico e sacana, Aécio reafirma a manutenção dos programas sociais implantados no governo Dilma. Conquista eleitores não pela força do seu plano de governo, mas pela sua extrema capacidade de construir armadilhas semânticas e semear falácias.

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Valter Junior

Idealizador e Co-fundador do Puta Letra. Escreve também para o portal Obvious Lounge.