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Em abril desse ano finalmente saiu um disco que eu há muito esperava. Sound & Color, o segundo trabalho de estúdio do Alabama Shakes, ficou pronto. E eu fiquei feliz.

A joia musical do estado norte-americano do Alabama estreou em 2012, quando lançou um dos melhores álbuns daquele ano. Três anos mais tarde, a banda repete o feito. Estamos ainda em abril, mas já é um dos grandes discos de 2015. Ouça a prova abaixo:

Acho importante dizer que Sound & Color exige um pouco mais de atenção do que o normal. É um álbum para ser apreciado com os ouvidos e com a alma. Não vai animar a festinha no fim de semana. Nem a banda de carro com a galera. Talvez duas ou três músicas façam isso, mas não é a ideia. É preciso ouvir com plenitude pelo simples motivo de que existe muita coisa em cada camada sonora. Algo que certamente se perde com ruídos externos.

A exemplo do estreante Boys & Girls, temos aqui um disco que caminha lentamente, com músicas calmas, introspectivas, sentimentais e eventuais explosões sonoras. A diferença está na produção do disco – mais delicada; na experiência da banda – adquirida em estúdio; na coragem – em continuar experimentando; e na lucidez – pois, ao mesmo tempo que a banda busca novidades sonoras, não faz a loucura de produzir um álbum totalmente oposto ao primeiro.

Canções como Sound & Color – começando com um vibrafone; Gimme All Your Love – que tem um início mesclado entre volumes altos e baixos, e que parece que acaba antes da hora, mas logo renasce, renovada, quase que como duas músicas em uma só; This Feeling – uma balada acústica calibrada com o mais puro feeling, justificando o título; Gemini – a mais longa e mais viajona, na minha opinião; e a psicodélica Over My Head, que encerra o disco, são exemplo de que o disco funciona quando ouvido em silêncio, sem notificações ou interrupções.

Alabama Shakes - Sound and Color (2015) - Capa
Tanto Sound & Color (2015) como o estreante Boys & Girls (2012) possuem capas bastante minimalistas.

Outra música que me alegrou também é Miss You, e que tem uma característica que gosto muito no som dos Alabama, que é essa de ir aumentando aos poucos a intensidade dos instrumentos em determinada parte da música, desde a pegada na bateria até a voz de Brittany Howard, que caminha dos sussurros aos gritos. É um detalhe que já foi utilizado em outras músicas da banda e que dá a sensação de que a música está indo a algum lugar, e de certa forma isso nos move também, nem que seja em pensamento. Saca? Se não, escuta no player ali em cima. Ah, e claro, o single Don’t Wanna Fight, a primeira música do álbum a ser revelada, um funk rock que exala swing e categoria.

Sound & Color é, no geral, mais baladão do que o Boys & Girls. Ironicamente, tem a música mais rápida dos dois discos, The Greatest, que é quase que um punk rock, cheio de teclados e com várias mudanças de andamento. É uma concentração de energia que foge do padrão do disco, que de padrão não tem nada.

Brittany Howard, vocalista e guitarrista da banda, em breve deverá ser lembrada como uma das grandes vozes da música internacional. É a mistura bem equalizada entre blues, soul e rock. E não é só em estúdio não. A banda tem se apresentado ao vivo e mandado bem demais nas canções do novo disco. No Festival Coachella, que rolou no mesmo mês de lançamento, o Alabama Shakes fez um dos melhores shows. Os dois vídeos abaixo comprovam isso:

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