COMPARTILHE

A alienação parental é uma agressão mental que acontece dentro do seio familiar. Mesmo esta prática sendo presente há muito tempo, passou a ser discutida recentemente e merece toda a nossa atenção pelas graves consequências para o desenvolvimento da criança.

O fenômeno se inicia em uma etapa de grande dificuldade e fragilidade para a família: a separação. É um momento de perda e dor no âmbito familiar, onde diversas mudanças ocorrem para os progenitores. Os sentimentos podem ser confusos e sofridos, disputas financeiras, raiva, ciúme, arrependimento, culpa e a dificuldade em adaptar-se à nova situação. Abalados pelos sentimentos negativos que se nutrem pelo antigo parceiro, o pai ou a mãe, com ou sem a intenção, pode envolver a criança com o rancor sobre o ex-cônjuge, provocando situações e envolvendo os filhos em conflitos que na verdade sabemos que não pertencem a eles.

De acordo com a sua lei o conceito de alienação parental é:

Art. 20  Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

A alienação parental ocorre das mais diversas formas, como criar falsas memórias, manipular histórias do passado, expor fatos sobre o ex-cônjuge com o intuito de desmoralizá-lo, induzir a criança a vitimizar um dos lados, culpando o outro pela separação, caluniar, dificultar as visitas entre outras coisas.

O alerta que fica para os pais são os danos causados à saúde de seus filhos. Danos esses que não ficam só na infância e podem ter graves repercussões na vida adulta. Primeiramente, os pais devem entender que o filho pertence e sempre pertencerá aos dois, e que o papel de pai e mãe é igualmente importante e não consegue ser desempenhado de forma saudável sozinho, por nenhuma das partes.

Uma criança que sofre alienação parental pode apresentar sérios problemas de autoestima, que pode vir a refletir na sua aprendizagem e relações com o grupo, ansiedade, tristeza e agressividade. Sua insegurança e impulsividade também podem influenciar suas relações amorosas no futuro. No adolescente os danos não são menos leves, podendo levar inclusive a condutas de risco.

Mas como saber se seu filho está sendo vítima de alienação parental?

Observe se a criança vem apresentando falas que não condizem com a sua idade, palavras rudes, assuntos inapropriados, acusações, opiniões cheias de raiva e mágoa. É provável que essas ideias não sejam originalmente dela e ela somente esteja as reproduzindo. Outro sintoma comum é a recusa ou má vontade em conviver com uma das partes.

O acompanhamento de um psicólogo pode ser fundamental para o restabelecimento do bem estar da criança ou adolescente vítima. Contudo, é importante destacar que o adulto que pratica a alienação provavelmente também esteja em sofrimento ou com dificuldades em superar a separação. Nesse caso, a prática terapêutica também pode ser indicada a ele.

Alienação Parental – Morte Inventada

Documentário nacional, dirigido por Alan Minas, que de forma clara mostra o sofrimento causado pela alienação parental, com depoimentos fortes de jovens que sofreram no passado com o afastamento de seus genitores e as marcas que conservam até hoje. Também conta com a opinião de profissionais muiltidiscipinares que esclarecem o assunto.

Bruna Luiza Ongaratti

Bruna Luiza Ongaratti

Psicóloga clínica graduada pela UPF / CRP: 23883

Atende a crianças, adultos e família, na Pronto Clínica, em Passo Fundo-RS.

Contato: (54) 3311 6878 / (54) 8134 3990
Bruna Luiza Ongaratti

Últimos posts por Bruna Luiza Ongaratti (exibir todos)

  • GIL

    penso que os filhos não pertencem aos pais, mas ao mundo!