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Quando eu era bem pequeno me lembro que não gostava de discos ao vivo. O motivo específico nunca mais me lembrei, acho até que este nunca existiu, era uma energia nova que provavelmente por não entender, preferia não ter contato e dizer que não gostava. Mas aí acabei conhecendo um CD ao vivo que mudou não só minha opinião, mas também minha vida.

Meu pai tinha me apresentado ao Allman Brothers e eu fui ouvindo os discos da forma cronológica CDF que sempre fiz. Primeiro comecei com o auto intitulado de 1960 e nove, logo depois fui para 70 com Idlewild South e em 1971 cheguei a um dos momentos mais importantes da música e da minha vida como apreciador da mesma. 1970 e um, ano de lançamento do épico At The Fillmore East.

Allman Brothers The 1971 Fillmore East Recordings (1)

A qualidade sonora que ouvi nesse disco, durante ANOS, me fizeram crer que tratava-se de um trabalho de estúdio, não sei nem como explicar o grau de proeza e a perfeição das linhas captadas (é bom deixar claro) na tecnologia precária dos anos 70. Ouvi esse disco até meus ouvidos virarem ao contrário, e como eles ainda não o fizeram sempre escuto este marco zero, que quando descobri não ser de estúdio foi o start para procurar trabalhos deste nível.

Mal sabia que nunca acharia um disco deste quilate e se antes já enlouquecia com a edição dupla, neste ano, com o lançamento do box The 1971 Fillmore East Recordings, com o set dos quatro shows completos quase tive um derrame ao som de seis discos. Mais de 200 reais investidos, porém com um retorno que não tem como colocar preço, a lembrança, e só a música invoca isso desta maneira tão singela e especial.

Allman Brothers The 1971 Fillmore East Recordings (3)

Line Up:

Duane Allman (guitarra)
Gregg Allman (órgão/piano/vocal)
Dickey Betts (guitarra)
Berry Oakley (baixo)
Butch Trucks (bateria/percussão)
Jai Johanny Johanson (bateria/percussão)

Track List CD1:

12 de Março de 1971 – primeiro show

1. Statesboro Blues
2. Trouble No More
3. Don’t Keep Me Wonderin’
4. Done Somebody Wrong
5. In Memory Of Elizabeth Reed
6. You Don’t Love Me – Willie Cobbs

Track List CD2:

12 de Março de 1971 – segundo show

1. Statesboro Blues
2. Trouble No More
3. Don’t Keep Me Wonderin’
4. Done Somebody Wrong
5. In Memory Of Elizabeth Reed
6. You Don’t Love Me – Willie Cobbs
7. Whipping Post
8. Hot ‘Lanta

Track List CD3:

13 de Março de 1971 – primeiro show

1. Statesboro Blues
2. Trouble No More
3. Don’t Keep Me Wonderin’
4. Done Somebody Wrong
5. In Memory Of Elizabeth Reed
6. You Don’t Love Me
7. Whipping Post

Track List CD4:

13 de Março de 1971 – segundo show parte 1

1. Statesboro Blues
2. One Way Out
3. Stormy Monday
4. Hot ‘Lanta
5. Whipping Post

Track List CD5:

13 de Março de 1971 – segundo show parte 2:

1. Mountain Jam
2. Drunken Hearted Boy

Track List CD6:

27 de Março de 1971 – show de encerramento:

1. Bill Graham Introduction/Statesboro Blues
2. Don’t Keep Me Wonderin’
3. Done Somebody Wrong
4. One Way Out
5. In Memory Of Elizabeth Reed
6. Midnight Rider
7. Hot ‘Lanta
8. Whipping Post
9. You Don’t Love Me

Vejam só o tamanho do set list. Notem que muitas faixas se repetem, afinal de contas o mesmo show foi registrado várias vezes. Quem ouviu esse disco antes do lançamento completo sabia, eles tinham plena capacidade de ter lançado tudo de uma vez porque o conjunto é fantástico, e isso provavelmente não foi feito na época porque ficaria caro demais. Vale lembrar que são 6 discos neste box, e SEIS horas de som, MUITO som.

Se já era bom na edição dupla, espera até você ouvir tudo que eles registaram no magistral Fillmore East, casa do grande Bill Graham. Mesmo com temas repetidos a apreciação sonora é a mesma, a energia deste show é amplamente estendida e retrabalhada com uma qualidade sonora fantástica. Temos um revival de um show que quando se escuta a primeira coisa que se pensa é: “Se apenas ouvindo é assim, imagina pra quem viu isso ao vivo?!”.

Allman Brothers The 1971 Fillmore East Recordings (4)

A banda é perfeita, essa apresentação entraria para um eventual top dez deste que vos fala. Se me pedissem para listar dez momentos perfeitos da música isso aqui certamente estaria listado, Dicky Betts, Duane Skydog Allman, Gregg… O que esses caras fazem é indescritível, vai além da parte técnica, não é nem a questão de serem virtuosos, mas sim de sentirem a música de uma forma estupenda e que, em (vários) momentos, beira o ridículo de tão bem feito.

Outro ponto que é necessário ser pontuado é o estrago do baixo de Berry Oakley, que assim como Duane foi morto em um acidente de moto que acabou colocando fim a uma grandiosa carreira de forma prematura, inclusive, ambos se foram com a mesma idade, 24 anos. Só que este registro resume todo o legado, não só dos citados, mas da banda como um todo, é um item indispensável.

Engraçado que ao ouvir esse trabalho nessas últimas semanas me peguei pensando: Como não pude notar que tratava-se de um disco ao vivo quando ouvi pela primeira vez? O que não falta aqui é interação com a plateia e toneladas de aplausos… Coisas da vida, que som maravilhoso. Duane + Oakley = Mountain Jam.

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Guilherme Espir

Publicitário em formação, zappamaníaco e escritor de fundo de quintal fissurado em música tal qual um viciado à espera da próxima dose, neste caso aguardando em abstinência para o próximo disco.