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A Pop Art é um movimento artístico que surgiu em meados da década de 1950, na Grã-Bretanha, e no final de 1950, nos Estados Unidos. Este novo segmento apresentou um desafio às tradições de artes plásticas, incluindo imagens da cultura popular, tais como a publicidade, notícias, etc. Seu conteúdo às vezes é visualmente removido de seu contexto conhecido, isolado e combinado com material relacionado.

Nessa nova modalidade são empregados aspectos da cultura de massa, como a publicidade, histórias em quadrinhos e os objetos culturais mundanos. É amplamente interpretado como uma reação às ideias então dominantes do expressionismo abstrato, assim como uma expansão em cima delas, resultando num movimento contrário à cultura elitista na arte, sublinhando os elementos banais de qualquer cultura, na maioria das vezes através do uso da ironia, características essas que serão melhor compreendidas usando um dos maiores expoentes deste mundo paralelo como exemplo, o brilhante Andy Warhol.

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Andy Warhol

Nascido em 6 de agosto de 1928, Andy Warhol foi um dos mais célebres, excêntricos e peculiares artistas que já viveram. Seu trabalho além de muito vasto e profundo, explorou praticamente todos os caminhos dentro do ramo das artes e fez ponte com diversas vertentes, desde a cultura das celebridades até as artes visuais e a publicidade, que começou a florescer nos anos 60, isso sem contar a Pop Art, aresta artística da qual foi mestre.

Um dos aspectos únicos em seu trabalho foi a relação que teve com a criação. O americano escreveu vários livros e fez grande marte de sua malha de melhores trabalhos enquanto produziu e gerenciou bandas de rock (como o Velvet Underground), chegando inclusive a dar opinião na formação do grupo, sendo um dos grandes responsáveis por incluir a voz de Nico, cantora que participou do icônico “disco da banana”, cuja capa também foi de sua autoria.

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The Velvet Underground and Nico

Saindo um pouco do campo criativo, é sempre importante salientar que Warhol foi um dos grandes pilares para o movimento gay, que nem existia na época que este já era assumido! Vale lembrar também que sua mente inventiva também foi responsável pela The Factory, casa que abrigava desde os moscas de bar até nomes de peso do rock psicodélico americano, como Jim Morrison, vocalista do The Doors, que por meio de Andy, conseguiu até alguns papeis dentro do cinema underground que o primeiro tanto apoiava.

Jim Morrison - Camera
Ray Manzarek e Jim Morrison

No campo da arte seu talento foi bastante versátil, o cidadão teve envolvimento com desenho à mão, fotografia, escultura, silk screen (especialmente para anúncios publicitários), escultura, música (mesmo sem saber tocar nenhum instrumento), gravura, colagem e cinema.

Sua carreira começou nos anos 50, focando na publicidade, mas foi nos anos 60 que a coisa andou. Além de se diversificar, foi nesta década que ele fez alguns de seus melhores trabalhos, como a sopa Campbells (símbolo da industrialização), anúncios imortalizados da rede Miller Shoes, icônicos registros de Marilyn Monroe, Elvis Presley, Marlon Brando e Muhammad ali, bem como a clássica tipografia da Coca-Cola.

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Campbell’s Soup (1962)
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Marilyn Monroe (1962)
Coca-Cola (1962)
Coca-Cola (1962)

Em muitos momentos de sua vida o americano sempre tentou mostrar que mais do que um representante da Pop Art (aresta criativa que fundia elementos da cultura popular com publicidade e conexões semelhantes), sua ideia era deixar mensagens para posteridade, sendo que um dos muitos exemplos possíveis foram seus posteres sobre os direitos civis, assunto que chegaria ao ápice em 1969, em Woodstock, mas que antes já era mensurado dentro no festival Monterey Pop (1967), grande momento para a história da humanidade, já que esta interação sonora nos revelou o talento da grande Janis Joplin.

Race Riot
Race Riot (1964)

E o grande diferencial de Andy para com os artistas da mesma época ( também de mesmo estilo), foi justamente a abordagem única com que trabalhava, algo que ele sempre tratou de trazer para qualquer coisa que um dia fosse se relacionar: Uma abordagem nunca utilizada antes. A Factory também ajudou bastante nesse processo pois abriu portas para uma cena de filmes experimentais em 16mm (registrando mais de 60 filme e 500 curtas) fator que rendeu bastante conteúdo para trabalhos posteriores.

Trabalhos que poderiam ter sido mais prolíficos se em 1968 o artista não tivesse sofrido um atentado advindo da feminista Valerie Solanis, que lhe desferiu três tiros. Seu estado clínico ficou estável rapidamente, mas muitos dizem que esse acontecimento foi o principal catalizador para os rumos que sua arte tomou nos anos 70 e 80, algo que pode ser melhor compreendido com o filme: “I Shot Andy Warhol” lançado em 1996, longa de estreia de Mary Harron, que retrata o ocorrido.

Nos anos 70 seu papel na indústria foi mais o de um homem de negócios do que um pintor. Durante esse período ele foi bastante criticado mas não ligou para isso, pois suas obras se valorizaram bastante e em questão de mídia e espaço para exposição esse talvez tenha sido seu apogeu. Na década seguinte o cenário já se alterou um pouco mais. O homem multitarefa retornou aos holofotes e encabeçou um movimento com novos nomes das artes, nomes que assim como o dele tratavam de assuntos bastante controversos.

Talvez o maior destaque desse motim criativo seja o também americano Jean-Michel Basquiat, grande nome que infelizmente foi morto aos 27 anos em 1988, vítima de uma overdose de heroína, catástrofe que para muitos foi um reflexo da morte de seu mentor em 1987, na cidade de Nova York, vítima de uma parada cardíaca.

Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat
Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat

Andy foi um nome único dentro do cenário artístico e o mais formidável era a forma interdisciplinar de seu trabalho, algo que hoje se perdeu em meio a nomes que, na tentativa de dominar um segmento específico, acabam se fechando para novos estímulos e sendo bastante medíocres com o DNA que tanto gostariam de mestrar. Sua morte assim como a de Basquiat foi prematura, o primeiro aproveitou bastante seu tempo neste plano e pode explorar bastante, o segundo nem tanto, porém ambos podem ser citados como exemplos de verdadeiros artistas: Mentes inquietas que não param de experimentar em prol de algo novo, algo que nem eles saibam o que pode criar de novo para o mundo, mas que apenas ele sentem, visualizam e querem correr o risco de criar.

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