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Você sabe o que é um walkman? Provavelmente sim, desde que tenha nascido no século anterior. Engraçado falar em século anterior, parece que cem anos dividem uma geração da outra, quando na verdade me refiro a apenas a uma década de diferença. Vou mudar então, melhor falar década de 2000 do que século XXI que assim não parece que a gente se sinta tão velho, mesmo quando se tem apenas 26.

Bom , o The Fine Bros possui uma série de vídeos em seu canal de youtube retratando como algumas pessoas reagem a certos produtos/atitudes/serviços que não são exatamente de seu tempo. A escolha mais recente foi brilhante: As crianças receberam em mãos um walkman e deveriam falar para a câmera o que diabos era aquilo. A gigantesca maioria não fazia noção do que era o objeto e qual era sua finalidade.

O walkman se tornou um aparelho deveras obsoleto. Todas as crianças entrevistadas estão familiarizadas com seus iPads e iPods e sabem que estes dispositivos contemporâneos são mais práticos de usar do que os antigos. É comum com dois anos de idade a criança já estar brincando com aplicativos infantis em tablets, tamanho é o seu poder intuitivo. Falando nisso, devo citar aqui uma passagem da biografia que Walter Isaacson escreveu sobre o cara que criou tudo isso, Steve Jobs:

Jobs ficou animado com um caso que me contou, que aconteceu com Michael Noer, da Forbes.com. Noer estava lendo um romance de ficção científica em seu iPad, numa fazenda leiteira que ficava na zona rural ao norte de Bogotá, na Colômbia, quando um garotinho pobre de seis anos de idade, que limpava os currais, foi até ele. Curioso, Noer lhe estendeu o aparelho. Sem nenhuma instrução e nunca tendo visto um computador na vida, o menino começou a usar o iPad de maneira intuitiva. Começou deslizando o dedo na tela, abrindo aplicativos, jogando uma partida de pinball. “Steve Jobs projetou um computador potente que um garoto analfabeto de seis anos pode usar sem receber nenhuma instrução”, escreveu Noer.

Quase três décadas depois de se lançamento, o walkman se tornou muito mais um objeto de museu do que um player de música. Diferente dos velhos toca-discos, que até hoje sobrevivem graças a qualidade sonora indiscutível dos LP’s e da vasta legião de colecionadores e entusiastas dos discos de vinil, o walkman (e o discman também) não possui vantagem alguma em relação aos dispositivos de hoje.

Mesmo assim, foi responsável por boas memórias. Lembro até hoje da primeira vez que manuseei um walkman aiwa da minha irmã. Passei a tarde ouvindo uma fita cassete com músicas que eu havia gravado da rádio. Foi minha primeira experiência com fones de ouvido. E para ouvir novamente era necessário rebobinar. Aí uma palavra que caiu em desuso: rebobinar. Muitas locadoras de filmes ganharam um bom dinheiro aplicando multas a quem não devolvia as fitas VHS rebobinadas. Felizmente isso acabou, de multas já bastam as de trânsito.

Voltando ao vídeo, as reações das crianças são demais. Um misto de surpresa, curiosidade, ignorância, desprezo e, até, louvor. As crianças de hoje, em maioria, não sabem mexer em um walkman. Mas, sinceramente, por que deveriam? Assista abaixo:

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