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Ela acorda no meio da noite com o coração disparado, todas as luzes apagadas, o silêncio ensurdecedor da madrugada e a imagem de quem seria o grande amor da sua vida, gravada em sua mente. Já se passaram alguns meses desde o último contato, mas ela não tinha conseguido esquecer tudo o que acontecera no tempo que passaram juntos. Não haviam chegado a um namoro, mas a relação deles foi tão significativa quanto.

Era difícil deixar pra trás algo que lhe tinha feito tão bem por tanto tempo, e esses despertares súbitos no meio da noite, depois de sonhos que mais pareciam recordações dos sorrisos que deram, das bobagens que conversavam, dos passeios, das briguinhas por pura implicância, eram prova disso, mas ela precisava se recuperar e seguir em frente.

Depois de perceber que não era mais do que a costumeira saudade batendo à sua porta novamente, ela resolve levantar e ir até à geladeira para tomar um copo d’água, na volta, passa pela sala e liga a TV, vai passeando pelos canais como quem procura algo que possa prender a sua atenção o suficiente pra que a imagem dele saia de sua cabeça, ou pra que pelo menos ela deixe de notar a sua presença lá.

Alguns minutos se passam, e ela chega à conclusão de que tudo aquilo é inútil, resolvendo então voltar ao conforto da sua cama para fazer o que já virou rotina àquela hora da madrugada – chorar. E apesar de sempre parecer a mesma coisa, ela sabe que cada lágrima que escorre pelo seu rosto toda vez que aquilo acontece, leva um pouco dele de dentro dela, leva um pouco das lembranças, um pouco do sentimento, um pouco da tristeza. E mesmo que sua pele reabsorva algumas das lágrimas derramadas, quando elas param de inundar o seu rosto, é possível sentir leveza e alívio, pelo menos até a madrugada seguinte.

Ela sabe que muitas dessas madrugadas ainda serão necessárias para que tudo vá embora, e ela então possa finalmente se sentir livre para ter uma noite de sono completa, sem interrupções. E lembrar disso, lhe traz conforto suficiente para que ela caia no sono novamente, e só volte a acordar quando o sol começar o dia.

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Christine Alencar

Christine Alencar

Mil em uma só. Muitos sonhos, pouco tempo. Troco comida por mais 5 minutinhos dormindo (a menos que a comida oferecida seja chocolate).
Me derreto com sotaques, mineiros, músicos e belos sorrisos.
Apaixonada por tudo que precise de inspiração, ou que possa ser visto de maneiras diferentes.
Futura mochileira.
Christine Alencar

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