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No dia em que a capital do país completa 55 anos conheça um dos grupos de cultura popular tradicionais da cidade, que tem em sua raiz a missão de criar um identificador cultural em Brasília.

Andar à noite pelas quadras e setores de Brasília pode parecer frustrante. É possível que em seu passeio uma alma viva sequer seja avistada pelas comerciais e eixos da capital do país, que comemora 55 anos nesta terça (21). Mas não se assuste, pois as pessoas existem e estão por aí. Nos bares, pubs e restaurantes das entrequadras Norte e Sul, setores de clubes, e ocupando os extensos campos gramados em todo o Plano Piloto. Brasília é uma cidade setorizada. Exageradamente bem organizada. Há setores para tudo. De bancos a gráficas, passando por diversão, televisão e rádio. Alguns destes carregam nomes, no mínimo, curiosos: Setor de Habitações Individuais Norte, Setor Comercial Local Residencial Norte, Setor de Áreas Isoladas Sul, Setor Habitacional de Casas Geminadas Sul, Setor de Garagens e Oficinas Norte, e suas siglas: SHIN, SCLRN, SAIS, SHCGS, SGON, respectivamente.

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Mas… apenas parece frustrante andar à noite em Brasília. Eis que rodando pela L2 (uma das avenidas principais da cidade) bem próximo à embaixada da República Popular da China, na chamada Vila Cultural, encontra-se o Centro Tradicional de Invenção Cultural. Trata-se de um dos espaços onde essa cidade pode se inventar a cada dia. Nesse local, a cultura popular é vivenciada, valorizada, praticada e compartilhada, contribuindo para a formação da identidade de um povo. Pois, em Brasília, existem vários lugares juntos em um único quadradinho. A cidade carrega várias identidades e com isso a diversidade cultural emana. Há povos de todos os cantos do Brasil e do mundo. E isso é o que faz do Planalto Central um lugar lindo, especial, único e riquíssimo em cultura.

No último final de semana aconteceu a grande e tradicional festa de Abrição de Seu Estrelo e o Aniversário dos Circênicos, no Centro Tradicional de Invenção Cultural. São grupos concebidos para inventar uma festa típica da cidade. Esses artistas têm por objetivo reiterar a força da tradição para a construção da identidade de uma cidade e seu povo.

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Ou como informa o texto no Facebook oficial do Seu Estrelo:

Todo ano o grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro abre seus trabalhos com um festejo. Tradicionalmente em abril, a festa já faz parte do calendário cultural não oficial da cidade. Esse ano o evento acontece em dois dias. No primeiro dia, teremos a apresentação da nossa 4ª Roda. No segundo dia a programação começa com o mamulengo de nosso Mestre Chico Simões, em seguida uma grande e incrível sambada, com as apresentações dos Filhos de Dona Maria, da “muderna” sambada do Seu Estrelo e finalizando com o Coco de Folia dos Passarinhos do Cerrado.

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É uma festa linda. Com muita música, teatro, circo, mágica, batuque, brincadeiras, cores, danças, pessoas alegres, boas energias e comidinhas.

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O grupo por ele mesmo

Com a proposta de criar um identificador cultural em Brasília, o Grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro inventou seu próprio mito e leva em suas apresentações elementos do cerrado para o imaginário popular. Criou também um som próprio, uma batida de tambor peculiar batizada pelo grupo de Samba Pisado.

Formado por importantes tradições, principalmente os Maracatus e o Cavalo-Marinho, o Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro traz um novo teatro de rua, unindo o terreiro e o picadeiro numa singular e moderna brincadeira – uma manifestação original de grande importância para renovação da cultura popular brasileira. ​

O Mito do Calango Voador, alimentado através das músicas, danças e brincadeiras do grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, povoa com novos seres o incrível imaginário popular. Assim, leva para este mundo sobrenatural as modernas figuras ligadas ao cerrado, terra do grupo.

​O grupo, que há onze anos se juntou para criar uma brincadeira própria da cidade e fortalecer a cultura popular local, foi premiado pelo Ministério da Cultura em 2007 como grupo de cultura popular tradicional, reconhecimento conquistado pelo mérito dos trabalhos que desenvolve em todo Distrito Federal.

Samba Pisado

Uma junção de batidas unindo, principalmente, o Maracatu e o Cavalo –Marinho, o Samba Pisado inventado pelo grupo reúne elementos do cerrado e da vida candanga.

Cavalo-Marinho

O Cavalo Marinho é tido como uma das variantes do bumba-meu-boi. De origem portuguesa, ao desembarcar no Brasil ficou mais acelerado que o original. Além disso, o ritmo incorpora personagens brasileiros. Já o Maracatu, surgido em Pernambuco, reúne dança e ritual com as influências da África.

Maracatu

Descubra Brasília. Conheça os grupos tradicionais da cidade

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Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro: http://www.seuestrelo. com/

Mamulengo Presepada: http://www.mamulengo.org/

Os Filhos de Dona Maria: https://www.facebook.com/FilhosDeDonaMaria

Passarinhos do Cerrado: https://www.facebook.com/pages/Passarinhos-do-Cerrado/143013515798907

Do Maranhão, a brincadeira do Bumba meu Boi é representada na capital pelo grupo Seu Teodoro: https://www.facebook.com/TambordeCriouladeSeuTeodoro?fref=ts

A congada também se manifestou no cerrado do planalto central, pelas mãos do Seu Eli, que faleceu em março deste ano: https://www.facebook.com/IrmandadeNossaSenhoraDoRosario

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