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Em 1948 a ONU delimitava o Estado de Israel, enquanto a Palestina se encontrava perdida, vagando num sionismo mundial. Os árabes estavam espalhados pelo mundo até o momento que encontraram na Faixa de Gaza um território pronto para ser habitado. Com sua ambição de dominação, Israel ocupou boa parte do Oriente Médio e achou em Gaza a Terra Prometida, onde nenhuma outra religião poderia ser capaz de habitar.

É uma história milenar, explicada desde o livro sagrado até os noticiários de hoje. Porém, em 2014 os bombardeios só aumentaram, a empreitada do Hamas cresceu e a defesa israelense foi suficientemente necessária para quase dizimar a população palestina. E eles não pararam. O cessar-fogo que tem acontecido com frequência não apaga a desproporção de mortes entre os povos dessa guerra sem lados. A cada um israelense morto – e é válido lembrar que a sua maioria são militares – cerca de 30 palestinos são aniquilados. Por que persistir, Hamas? Do que vale um território sem um povo? Do que vale uma nação destruída se o seu povo também não está firme? Em 2012 um similar acordo definitivo foi feito entre palestinos e israelenses. Um tempo depois a violência voltou. Dois anos depois a guerra também voltou.

Não há como tomar partido numa questão religiosa, política, territorial e histórica como a que vive os povos árabes e judeus. Mas há como discutir. A vida em Gaza virou palco de atrocidades. Desde a morte dos três adolescentes israelenses e de um palestino como retaliação, o povo não tem encontrado paz. A entrada e saída na região estão cada vez mais limitadas e povoadas por militares em defesa da fronteira. A economia desmorona em progressão geométrica e a taxa de desemprego atinge 40,8% segundo a BBC.

Famílias em Gaza foram destruídas. Crianças foram mortas. Idosos foram embora antes do tempo. O cessar-fogo permanente foi acordado, mas eu pergunto: a guerra acabou? A guerra só termina quando um lado vence e o outro é derrubado. Pelo que consigo compreender Hamas e Israel sempre lutarão entre si. De um lado, o desejo de pôr fim em Israel e tomar posse do território. Do outro, a busca pela defesa de seu povo e da permanência do poder numa terra considerada própria. A Faixa de Gaza possui apenas 365 km², mas com uma população que vem crescendo consideravelmente. Sem emprego, sem moradia, saúde precária e segurança abalada, os poucos quilômetros da região serão desabitados de maneira forçada por seus habitantes. Seja na morte, seja na fuga.

O mundo vive uma guerra de opostos procurando por quem “torcer”; tentando entender essa geometria estranha onde em pleno século XXI nações disputam território e exterminam povos, como se guerras anteriores não bastassem pela destruição causada em famílias e regiões. Os judeus querem tomar de volta o que “é deles por direito”, já que acreditam que o território foi invadido por fugitivos de outras terras e lá se acomodaram. A Palestina quer “ter o direito de ficar onde sempre se concentraram”, já que quando o território de Israel foi determinado pela ONU, a Faixa de Gaza ficou de fora, sem dono. Ambos tentam justificar seus atos, e um não irá ceder enquanto o outro não der o braço a torcer. Deu pra entender o tamanho dessa briga? Você compraria?

Além disso, há uma questão ainda mais traumática nesse meio de foguetes e mísseis. Não estamos presenciando uma briga de autoridades versus grupo terrorista. Existe uma população apoiando a causa e outra parcela pedindo paz. Porém, esse fragmento que espera de Israel uma resposta calibrada é de causar espanto e indignação a quem assiste de fora, através dos noticiários. É normal pedir guerra? Na minha visão utópica de que acordos são sempre bem vindos e aperto de mãos necessário é de causar comoção manifestante nas ruas apoiando a atitude de Israel em resistir. É de causar dor a percepção de que palestinos também aprovam a “necessidade” do Hamas em provocar a escalada aérea e terrestre.

E sobre essas mediações que são feitas entre o Hamas e Israel, geralmente pelo Egito, é algo indigno de se perceber. Os desejos e aspirações políticas ganham espaço infinitamente superior aos hospitais lotados de mortos e feridos. Os grupos que irão se autodestruir ou o país que perderá sua força é o ponto principal das negociações. Enquanto isso, famílias são quebradas mais uma vez. Palestinos novamente separados. Sonhos interrompidos. Futuros estagnados. E duas regiões completamente abaladas pelo fogo, pela dor e pela falta. A falta de amor, compaixão, piedade, humildade, generosidade e, acima de tudo, de esperança.

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Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo.

Conta histórias da vida, do que escuta, do que observa, do que lê e do que vive. É uma amante da vida real, mas não larga sua própria ficção.

Escreve também no seu Blog Pessoal, o Escrever Para Não Implodir.

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