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Vivemos em um mundo globalizado, dominado pela tecnologia e pelo capitalismo, isso é inegável. Mas, será que a forma de vida ocidental pautada no consumo e no acúmulo de capitais é a única configuração possível? Existem alternativas?

Comunidades inteiras estão ai para nos mostrar que sim e o capitalismo vislumbra um grande desafio para os próximos anos: converter em consumidores um povo que nega o consumo.

O surgimento de uma comunidade alternativa geralmente é precedido de um grande conflito histórico, como no caso das comunidades quilombolas. Tais comunidades tem o condão de instaurar uma nova realidade capaz de compatibilizar as crenças e sonhos dos seus membros.

Benoit.P - Rainbow Gathering
Benoit.P – Rainbow Gathering

As comunidades alternativas atuais negam o capitalismo opressor, pregam o cooperativismo, a agricultura orgânica e a vida sustentável em sintonia com a natureza. Dispensam a utilização do papel-moeda e sobrevivem daquilo que produzem.

Mas o sistema capitalista está atento a esses grupos sociais. Temos, por exemplo, produtos orgânicos sendo vendidos nos supermercados — a preços altíssimos — e a sustentabilidade já foi há muito tempo apropriada pelo mercado. Até mesmo a vestimenta desses povos ganhou destaque na mídia e nos grandes centros é possível comprar o seu “kit” hippie.

Fotos: Benoit Paillé

Para o homem urbano, acostumado ao barulho das ruas e horários fixos de trabalho, parece existir uma incompatibilidade nessas formas de organização social. Cadê o conforto? Cadê o acesso ilimitado aos benefícios do capitalismo? A simplicidade incomoda e as comunidades alternativas provocam um desconforto no resto do mundo.

Graças ao fotógrafo Benoit Paillé, frequentador do Rainbow Gathering, um grande encontro de tribos e povos nômades, temos contato com belas imagens desses grupos. É uma mistura de cores, de sentimentos e de sensações que nos transportam para outro lugar e nos fazem pensar sobre o mundo e principalmente sobre nós, sobre quem somos.

Benoit.P - Rainbow Gathering
Benoit.P – Rainbow Gathering

De resto fica aquela vontade de sair pelo mundo e nunca mais voltar. Mas já estamos acostumados demais com os nossos mitos: democracia, capitalismo, multicultura. Permanecemos inertes.

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Valter Junior

Idealizador e Co-fundador do Puta Letra. Escreve também para o portal Obvious Lounge.
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  • william haddad

    nunca vi com maus olhos as comunidades alternativas e acho que o ser humano tem sim o direito de escolher onde se sente melhor para viver, esta feliz? ótimo não esta prejudicando ninguém? melhor ainda…felicidades

  • Valter Junior

    É isso mesmo, Willian. As comunidades alternativas nos mostram que é possível ser feliz longe do caos urbano.

  • william haddad

    correto….e as pessoas que assim optam por viver merecem respeito, dignidade, pois muitas pessoas os colocam com marginais ….eu não vejo assim não..um grande abração Valter meu colega de internet um grande abraço