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Uma das histórias mais tristes e ao mesmo tempo mais midiáticas  da história da música é a saga do criador do Pink Floyd, Syd Barrett. O criativo e naturalmente artístico guitarrista britânico foi mais um dos que sucumbiram às pressões do rápido estrelato, só que com temperos de LSD, quilos de maconha, haxixe e anfetaminas para fechar o pacote. Mas como isso aconteceu? Como foi a criação do “gênio psicodélico”? O que o levou à sua reclusão e aposentadoria da música? Todas essas respostas são encontradas no excelente livro “Crazy Diamond  – Syd Barrett e o surgimento do Pink Floyd”, lançado em 1991 e relançado em 2013 pela Sonora Editora.

Eu sinceramente desconhecia este trabalho. Em relação ao Pink Floyd sempre notei que os livros que você acaba encontrando são sempre sobre as obras primas e etc e tal, e quando narram o começo da banda, a fase Syd é bem mal e porcamente descrita, logo, sempre tive curiosidade de saber mais sobre a vida deste cidadão.

Aqui temos 228 páginas de uma excelente leitura e que, além de nos proporcionar ótimas histórias, nos propiciam um panorama completo da total desordem que foi a mente deste que um dia foi um músico renomado. Nunca senti tanta pena por alguém que nunca conheci. Já li várias autobiografias e biografias de músicos, mas nunca terminei um livro e me senti tão impactado tal qual me senti ao finalizar esse trabalho.

SydBarrett (1)

Ver como sua infância aparentemente normal encontra a arte, assistir à narração de seu primeiro contato e paixão pelas artes, seu início promissor na música… É lamentável ver que essa fase só dura até a página vinte. Dai em diante o LSD entra em cena e, sendo entornado aos litros dentro de um cérebro já psicótico e misturado com tudo que pudesse alterar ainda mais o estado mental de um indivíduo, vemos a rápida queda de Barrett e como ele foi, pouco a pouco, deixando de ser parte do Pink Floyd, e de si mesmo também.

Um aspecto que acabei não gostando tanto foi a forma que sua imagem é vendida. No livro eles falam de Syd como se ele fosse maior que Hendrix! É válido ressaltar que seu único bom disco é com o Floyd, o primeira trabalho da banda, o excelente e pioneiro Piper At The Gates Of Dawn, depois com sua carreira solo temos apenas trilhas para notar a destruição desesperadora de um grande músico, e isso não é interessante, tampouco sustenta o caráter romântico que sua figura carregou após seu sumiço dos holofotes.

O mito Syd Barrett, o “cara que ficou maluco por causa de tanto ácido”, acabou justamente recluso por conseguir enfim adentrar o meio que tanto queria, o da música. O que eu nunca entendi era todo esse endeusamento que se tinha junto de sua imagem, eu nunca senti isso por ele, acho que ele tinha tudo para ser um cara realmente cultuado, mas foi no máximo um bom músico.

SydBarrett

Teoricamente, nunca foi nem metade do que a crítica afirmava, e o LSD pode ter sido o que ajudou a empurrar sua sanidade de um prédio, mas acho que mesmo sem o ácido as coisas terminariam desta forma, a esclerose é uma doença cruel e com Syd ela foi ainda mais avassaladora, virou a fuga de seus problemas até o momento dele estar sozinho dentro de um ambiente protegido para evitar fúria e clínicas de reabilitação. No fim das contas sua tão amada arte privou sua vida, e esse deve ser um fardo absurdo, até para alguém que não poderia compreender 100% tal qual o britânico.

Acho sinceramente tudo isso muito triste, sem Syd o primeiro disco do Floyd provavelmente seria uma merda, foi ele que deu a identidade do som, e praticamente criou o disco todo, além do fato de abrir alas para que seus companheiros de banda assim como ele, pudessem compor. Mas sem Syd tivemos coisas boas também, o que você me diz do Dark Side Of The Moon?

Resumo toda sua vida numa passagem curta deste grande livro. O cunhado de Barrett tinha levado ele ao seu escritório, e foi buscar alguma coisa. Enquanto o já gordo e careca aposentado guitarrista esperava, perdeu seus olhos em um violão e quando se deu conta estava dedilhando ele após décadas sem tocar em um exemplar daquele. Quando o cunhado voltou Barrett tomou um susto, derrubou a viola e deu um sorriso, sorriso este tão decifrável tal qual o da Monalisa…

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Guilherme Espir

Publicitário em formação, zappamaníaco e escritor de fundo de quintal fissurado em música tal qual um viciado à espera da próxima dose, neste caso aguardando em abstinência para o próximo disco.