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“…Acabamos chegando em Pratigi cedo demais e tive que encarar o portão cinza do festival por dois dias inteiros, sem acesso a banheiro, ou qualquer tipo de água, além da que levamos para beber. Agora finalmente iríamos conhecer o Universo Paralello, porém ainda tínhamos muito o que caminhar, antes disso passamos pela segurança, revista mala, revista bolsa, revista tudo, nem lembro o que exatamente os seguranças estavam procurando, o que será que não seria permitido nesse Universo Paralello?

Enfim passamos e seguimos a longa caminhada em direção ao mar e o festival que em volta dele acontecia. Caminhamos aquilo que aguentamos, o calor começou a maltratar-nos violentamente, até que nos rendemos ao táxi. Um arrojado e conveniente carrinho de mão com a palavra “Táxi” impressa na lataria. A mais poderosa força e resistência dos nativos de Pratigi por 40 reais, colocamos o que coube no carrinho e seguimos. Foi nesse momento que o mito da preguiça baiana caiu por terra, foi impressionante ver aquele homem, naquele calor, carregar por alguns quilômetros toda a bagagem de três adultos e uma criança, sim uma criança. Apesar dos pesares, o maior festival de música eletrônica tem espaço para as crianças também, e muitas delas.

Começamos a avistar barracas, ouvir os bpm’s e as cores do Universo Parelello, nessa altura tudo que queríamos era nos instalar e cair no mar. Fomos estudando qual seria o melhor lugar para acampar, passamos pelas primeiras barracas, chegamos a praça de alimentação e atravessamos a ponte que dava acesso a primeira pista que enxergamos, era o Chill Out, foi a primeira vez que ouvi esse nome, nem sabia ao certo o que significava. Mais muitos metros a esquerda estava outra pista, a 303, logo viramos a direita, passamos por uma espécie de portal feito com sementes, pedras e materiais naturais, mais a frente estava o Circulou (espaço alternativo para apresentações artísticas em geral e oficinas), a Galeria Circular (espaço para exposições de fotos, quadros e manifestações artísticas), o Circulinho (espaço dedicado exclusivamente à crianças) e a Cozinha Circular (cozinha comunitária), ambientes mais do que agradáveis, foi onde fiquei a maior parte dos sete dias do festival. Em seguida existia uma aldeia indígena e a Tenda da Cura, logo achamos um espaço bem legal para nossas barracas e o melhor, a um passo do verde, lindo e calmo mar da Bahia.

 A casa de pé, só havia uma coisa a se fazer. Sem dúvida foi o melhor banho de mar da minha vida, depois de passar três dias sem banho, até a água com enxofre dos chuveiros do festival pareceu coisa de luxo e diga-se de passagem, apesar da água do mangue amarelada, banheiros e chuveiros sempre limpos e a vontade para todos, mais um trabalho cumprido com excelência pelos pratiginenses.

Depois do banho, foi a primeira vez que parei de fato, para olhar em volta e perceber onde eu estava. Dífícil de descrever, sabe muita informação ao mesmo  tempo?  Cores, cores, muitas cores. Praticamente tudo lá era feito de bambu (bioconstrução). Desde o básico, banheiros, estruturas das pistas e dos espaços já citados antes, além de inúmeras decorações espalhadas pelos quilômetros de festival. Era um espaço gigantesco, exigia uma longa caminhada para ir de um local a outro. Tirando o calor, eu nem me importava com isso, passava despercebido o quanto a gente caminhava, pois estávamos sempre distraídos com o que acontecia a nossa volta. Muitas pessoas, de todos os tamanhos, formas, cores, nacionalidades, idiomas, culturas, gostos e tudo mais, em um ambiente que permite a diversidade, que permite cada um desses seres se mostrar como quiserem. Dá para ter uma ideia do que era isso? Realmente é algo difícil de descrever.

Depois desse primeiro choque de realidade, chegamos até o Chill Out, na minha opinião, uma das pistas mais criativas, aconchegantes e interessantes de todo o  festival por motivos gerais, desde a estética da estrutura do local  até as atrações artísticas e o melhor, na beira do mar. Foi ali que a gente ficou e então começou o  show do Arnaldo Antunes. Puta que pariu, esse era só o primeiro dia…”

Diário de bordo – Bahia 2011/2012

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  • Rodrigo

    Universo paralello é magico,.. muda nossas vidas