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Kevin Parker, líder, vocalista e multi-instrumentista da banda australiana Tame Impala, participou do projeto Ask Me Anything (AMA), do Reddit. O músico esteve por algumas horas respondendo perguntas dos fãs através da plataforma.

As questões levantadas foram total multiuso. Como o nome do projeto entrega, Pergunte-me qualquer coisa, Kevin respondeu perguntas sobre a banda, composições, técnicas instrumentais, vida pessoal, indústria fonográfica, Currents (terceiro álbum da banda com lançamento previsto para esse ano) e outros assuntos.

Uma das perguntas mais ousadas – e que deu certo – foi: “Posso ouvir uma música nova?”, a qual Kevin prontamente respondeu que sim, postando inclusive o link. E é essa maravilha aqui:

Como não estava online no momento (foi na noite de ontem – 29/04/15), li boa parte da entrevista depois. Não rolou fazer uma pergunta para o cara, então resolvi traduzir livremente algumas das melhores perguntas e respostas – claro que na minha opinião! – desse AMA. O conteúdo original está aqui.

O Tame Impala já lançou, além da música acima, as faixas Let It Happen Cause I’m a Man, do novo álbum. E eu recomendo muito.

Enfim, abaixo da foto, o que interessa.

kevin - tame impala - ask me anything

Hey Kevin! Me aprofundei bastante sobre as progressões de acordes que você usa nas músicas, Apocalypse Dreams é especialmente maravilhosa. Quando você está compondo uma canção, há algum conhecimento em teoria musical por trás de tudo ou você simplesmente, deixa acontecer (Let It Happen, em analogia a uma das novas músicas da banda)… Você tem alguma dica para um aspirante a compositor? Obrigado cara!

Obrigado cara. Eu não sou um conhecedor profundo de teoria musical, mas peguei alguns conceitos ao longo do caminho. Como quando eu ouço algo bonito ou uma mudança de acorde que me faz sentir de certa forma, eu me encontro PRECISANDO saber o porquê dessa sensação. E então eu fico me perguntando (por vezes sem necessidade) por que um acorde em sétima maior é tão melancólico? O que há por trás disso? Mas no fim das contas você acaba entendendo, teoria musical é baseada em torno do que nos faz sentir bem, então contanto que você se sente bem, está certo!

Você se sente artisticamente diferente depois de se tornar popular com sua música?

Hmmmmmmmm. Sim, acho que me sinto. Embora seja estranho. Eu não diria que me sinto MELHOR como artista. É como um misto entre mais confiante e mais autocrítico.

Kevin, quem são os artistas contemporâneos que você admira no momento?

Tenho que dizer que sou muito inspirado por Kany West. Há algo sobre sua manifesta confiança diante do julgamento e da dúvida que, para alguém autoquestionador como eu, parece que dá uma quebrada e uma digerida nesse aspecto, algo que faz você se desenvolver como artista… e te dá confiança para seguir em frente por algo que você acredita. Segundas opiniões, hesitações e dúvidas inibem o artista, especialmente nos dias de hoje. Acho que Kany achou o antídoto.
ummm quem mais.. Tyler the Creator? ele toca por meio de suas próprias regras, o que é incrível. Caribou? Nerds podem ganhar em vida também! Sorry Dan.

Olá Kevin, descobri sua música em 2010 quando estava no segundo grau. Sua música definiu um período muito difícil da minha vida, e isso me ajudou de verdade a crescer e lidar com a depressão. Através de seus lançamentos eu decobri o artista que criou a arte de Innerspeaker, e isso inspirou-me a criar um trabalho similar, e é o que tenho feito por anos, graças à sua música. Minha pergunta é como você acha ideias para os trabalhos de arte? O que vai para esse processo que em minha opinião capturou de forma bastante efetiva a essência da música?

Maravilhoso, cara. Isso realmente dá um sentido ao que faço e faz tudo valer a pena. É muito difícil colocar em palavras a arte de um álbum (naturalmente…). Eu acho que tem muito a ver com o que você imagina ao “enxergar” a música. Que cores elas teriam? Qual o conceito ou o objeto ou a entidade física que vem à mente quando você pensa na música? O sentimento da música… sua personalidade… o que a música está dizendo, liricamente ou apenas instrumentalmente… Nem sempre é fácil trazer isso ao mundo real mas, desde que venha do mesmo lugar que a própria música, você pode ter certeza que elas irão se relacionar, e serem igualmente únicas.

Olá Kevin! Como você se sente sabendo que as pessoas fazem download e escutam suas músicas de graça?

Eh… Eu sinto que cedo ou tarde toda música será gratuita, e eu acho que estou bem com isso. Há toda essa conversa sobre a música precisar ter um valor monetário, sobre a propriedade da música, mesmo que seja de uma forma física. Mas, intrinsecamente… é MÚSICA, deveria ser mais que isso. Algumas das minhas melhores experiências sonoras foram de um CD gravado com canções que um amigo baixou para mim com uma qualidade digital terrível… Não me importei… isso mudou minha vida. Para mim o valor da música é o valor que você tira dela. Quer saber de uma coisa? Até recentemente, de todas as vendas do Tame Impala fora da Austrália eu recebi… zero dólares. Alguém ficou com esse dinheiro antes de chegar a mim. E eu nunca vou receber isso. Então a Blackberry e uma marca de tequila ou algo do tipo colocaram minha música em um comercial. E então eu comprei uma casa e fiz um estúdio. Eu sei que você está pensando… “espera aí…quando eu comprei um álbum eu estava ajudando um empresário a comprar sua mansão em uma ilha, e quando algum cara comprou um telefone celular ele estava ajudando a pagar um artista? POR QUÊ?” Eu te respondo, DINHEIRO. Nem sempre as coisas vão para onde você quer. É como um carrinho de supermercado com uma roda de rolha. Até onde sei a melhor maneira de você ajudar o artista é OUVINDO a música… se apaixonar por ela… falar dela… deixar as corporações pagarem. Esta é apenas uma divagação minha, sei que há buracos em minhas teorias… por exemplo, eu percebo que nem toda música é adequada para um comercial de celular, e seria incompleto se todos os artistas se adaptassem a isso.

Pedais de guitarra possuem uma certa ordem “recomendada” (fuzz antes de phasers, reverbs por último, etc). Quais são algumas de suas rotas favoritas atípicas?

Eu acho que um bom início é inverter tudo…! Eu adoro colocar o reverb por primeiro… reverb esmagado e desconfigurado pode realmente estragar com a sua percepção de espaço e ambiência, etc…e soar impressionante.

Hey Kev, qual seu pedal de guitarra favorito e por quê?

Provavelmente o bom e velho reverb! Eu também amo meu pedal de vibrato roxo. aah! qual é o nome? Alguém me ajuda? Ele é muito mais viajão do que outros vibratos e chorus.

Nota: Kevin refere-se a um Diamond Vibrato. Isso foi respondido no próprio AMA.

Hey Kevin! Baseando-se por ‘cause I’m a man & Let It Happen, a impressão é de que Currents terá uma pegada mais pop. O resto do álbum caminha pela mesma direção? 

Você diz pop… Essa é uma palavra ampla… Eu sempre achei Tame Impala total pop (o que quer que pop seja nos dias de hoje)(Acho que é porque eu não ouço os oceanos de reverb e distorções… o que pode sem dúvida influenciar as percepções de “gênero” de uma música). Como uma vez em que eu ouvi uma versão R&B de Backwards no piano e fiquei como woah! essa é minha música??
Há muita coisa diferente no álbum novo, é realmente o álbum mais variado que já fiz.

Qual seu álbum favorito de todos os tempos?

HHHMMMMMMM. Eu não tenho um número 1. Qualquer um entre Air – Talkie Walkie, Supertramp – Breakfast in America, Michael Jackson – Thriller, QOTSA – Rated R, e provavalmente alguns outros.

Você é um “cara do vinil”? Como você gosta de ouvir música?

Engraçado, mas não sou um “cara do vinil”, e nunca fui. Eu amo o romance em volta disso, como todas as outras pessoas, mas eu nunca diria que é superior a qualquer outra forma de viver a música. Eu nunca ouvi um disco de vinil e pensei “ok ISSO SOA MELHOR que um CD, ou itunes etc etc etc”.

Você gosta de desenhar?

Eu costumava desenhar O TEMPO TODO quando era garoto. Minha mãe tem caixas com meus desenhos. 50% são de dinossauros e tartarugas ninjas.

Qual seu filme favorito?

Qualquer um entre Kill Bill Vol 2… Eraserhead… As Tartarugas Ninjas.

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  • Rachel Persan

    Adorei a entrevista. 😉