COMPARTILHE

O músico Murilo Sá é uma das novas vozes concebida pela música brasileira. Depois de lançar, no início do ano, o Promo EP, curto trabalho com 4 músicas, Murilo Sá apresenta agora o primeiro álbum: Sentido Centro.

Murilo Sá & Grande Elenco, é assim que o compositor se apresenta, valorizando a galera que o acompanha em estúdio e em shows. O álbum Sentido Centro, lançado em 21 de outubro de 2014, é uma das revelações nacionais do ano, sem dúvida.

Nessa entrevista, feita por mim e pelo Guilherme Espir (que também fez essa bela resenha do disco), Murilo Sá falou do processo de criação das composições, da gravação, influências musicais e outras coisas. Dê uma lida, mas antes dê play no álbum abaixo. O CD pode ser adquirido diretamente na loja virtual do Selo 180.

Onde e quando foi gravado Sentido Centro?

Foi gravado em São Paulo, nos estúdios da produtora Baticum, aproximadamente entre julho de 2013 e fevereiro de 2014

Como foi que você montou esse grande elenco que te acompanha?

São todos amigos que fiz aqui em São Paulo, nos últimos anos. Mostrei pra eles as músicas que eu já tinha, e eles toparam a parada. O grande elenco atual já não é o mesmo de 2013, quando começamos a tocar essas músicas. A formação inicial contava com Pedro Pastoriz nas guitarras solo e Felipe Faraco no baixo, e hoje quem assume as guitarras solo é Gabriel Guedes, e no baixo Rob Ashtoffen. O baterista é o Pedro Falcão, desde o começo. E tem também músicos convidados que não fazem parte da formação ao vivo, mas gravaram no disco. Fico muito feliz de estar tão bem acompanhado, pois além de excelentes músicos são todos pessoas da mais alta qualidade!

Você compõe sozinho e apresenta a música ao elenco ou vão criando juntos?

Eu componho sempre sozinho, e geralmente de madrugada (risos). Mas no disco tem uma única que não fiz sozinho, que é parceria com Heitor Dantas, a faixa 13 “Nem é Sempre Que é Assim”. No caso desse disco eu cheguei com as músicas prontas e apresentei pra a banda, e a gente começou a ensaiar e definir melhor os arranjos de base juntos. Com exceção de umas duas que entraram por último, que acabei gravando sozinho no estúdio, uma delas a faixa título “Sentido Centro”. Com as bases gravadas, fui produzindo e tentando sentir o que cada música pedia em termos instrumentais, e convidando também alguns amigos pra tocar outros instrumentos menos comuns presentes no disco, como cítara, flautas, violino, metais…

Ouvindo o disco sentimos que dava pra transferir o som para uma pegada bem anos 50, cheia de metais à la big bands de jazz. Você se vê fazendo isso, algo mais swingado?

Perfeitamente! Engraçado vocês terem sentido isso. Tenho um plano secreto de montar uma big band e ser crooner cantando jazz standards num cruzeiro! (risos). Só pelo prazer de cantar aquelas músicas!

Mas de fato, eu escuto muitas músicas dos anos 50, embora eu ache que talvez no disco essa influência não está tão presente. Consigo me ver fazendo umas baladas à la Bobby Vinton ou Skyliners, de vez em quando, no futuro.

Foto: Luana Schwengber
Foto: Luana Schwengber

Além disso, o que você tem ouvido que ajudou na criação e gravação do álbum?

Me lembro que durante a gravação, eu e o Bruno Pontalti (que captou e mixou o disco), em cada sessão a gente apresentava um para o outro artistas e bandas atuais que estávamos descobrindo, a maioria gringa, e comentando sobre suas sonoridades, climas, etc. Dessas, me lembro agora de Foxygen, Ty Seggal, Jake Bugg, The Temples, Jack White…e muitos outros na verdade. Ouvi bastante também os últimos discos de Bowie e McCartney, que foram lançados enquanto estávamos gravando o disco.

E na época da criação das músicas, lembro de ter tido uma fase que estava ouvindo muito Smiths, Jeff Buckley, Elliot Smith, que talvez tenham me influenciado mais nas letras do que na sonoridade.

Hoje em dia a música é toda espalhada na internet e em serviços de streaming. Você acha importante também a presença física do material ou prefere focar só na arte em si?

Não sei se entendi bem o final da pergunta, mas sim, acho importante ainda a presença física do material, especialmente pra quem é colecionador, pra divulgação, venda em shows, etc. Sem dúvida a internet deve ser onde as pessoas mais buscam e ouvem música hoje em dia, falo por mim também. O retorno do vinil é inspirador, pois resgata nas pessoas o hábito de ouvir um disco inteiro, entrar em contato maior com uma obra. Coisa cada vez mais rara em tempos de shuffle.

É isso mesmo. E falando nisso, como você vê o apoio do Selo 180 alimentando a cena independente?

Eu me identifico muito com pessoas que são visionárias e sonhadoras, mas que acima de tudo sabem pôr as coisas em prática pra fazer algo acontecer. É mais ou menos assim que vejo o Selo 180! Eles surgiram como grandes parceiros. E eles lançaram em vinil, dois dos melhores discos do ano pra mim até agora, O Terno e Costa do Marfim da Cachorro Grande, e isso é sem dúvida uma grande contribuição pra a cena independente atual.

Depois do lançamento por onde o Murilo Sá & Grande Elenco irá tocar?

Estamos planejando uma pequena turnê pelo sul em dezembro, logo depois de lançar o disco, passando por Curitiba, Porto Alegre, Passo Fundo e mais algumas cidades do interior. Novidades em breve!

Gostou do que viu aqui?

Todo sábado enviamos um e-mail com os artigos da semana. Entre em nossa lista: