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“Quem não é visto não é lembrado”, como já cantou Mano Brown. A necessidade de ocupar o espaço público e deixar seu registro pela cidade não vêm de hoje. Contestar seu valor histórico e artístico também não.

Sendo a principal forma de expressão da plebe, a pichação começou no Império Romano e, desde aquela época, era não só discriminada como também reprimida.

Dentro desse contexto polêmico, Fellipe Lopes, fotógrafo paulistano, engajado em produções artísticas audiovisuais, criou o [CentrøPixø], série fotográfica que propõe uma visão analítica e sensível sobre o pixo e sua relação com a cidade.

Em seus passeios por São Paulo, a pé ou com sua bike, o artista capturou o cotidiano das pessoas, focalizando na presença das pichações como plano de fundo da vida delas.

pixo

“O pixo é protesto visual, livre expressão e é grito de liberdade. Ele está lá, resistindo, no caminho do trabalho, indo pro rolê, todo dia, toda hora e em todo lugar. Muitas vezes passa despercebido, mas faz parte da vida da gente. É o ‘plano de fundo’ na Babilônia paulistana, refletindo o caos de uma sociedade injusta’’ comenta.

[CentrøPixø] levanta a discussão sobre a predominante presença do pixo na região central e o quanto ele vai desaparecendo de outras áreas mais elitizadas da cidade.

“Comecei pelo centro velho: Sé, República, Anhangabaú, e vim subindo a Augusta. Pouco antes de chegar na Paulista, as pichações começam a sumir e na avenida mais famosa de todo o rolê, já não se acha pixo nenhum”.

A Pichação é uma prática que pode ser encarada por muitos como manifesto, escrita contestatária, por ser, desde sua origem, expressão gratuita, subversiva e que rompe certos valores sociais das classes dominantes. Bate de frente com a questão do que é Arte, do belo e da liberdade de expressão.

O fato é que ela já faz parte da paisagem urbana de forma orgânica e sua existência pode ser considerada uma interferência espacial característica de uma cidade como São Paulo.

Confira algumas fotos de Fellipe Lopes e que fazem parte da exposição:

Pixo Pixo Pixo Pixo

Serviço

Projeto [CentrøPixø] – Sábado, 27 de maio, das 16h/ 21h. Praça Franklin Roosevelt, 76, São Paulo. Exposição gratuita e aberta ao público.

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Aileen Rosik

Aileen Rosik

Formada em Letras, interessada em cultura e arte urbana, literatura e cinema. Feminista, acredita que o ambiente digital tem possibilitado ampliar a discussão sobre o empoderamento da mulher. Atualmente trabalha com assessoria de imprensa na agência Conversion.
Aileen Rosik