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… fiquei paralisado quando vi a banda entrando no palco. Ao meu lado as pessoas gritavam utilizando toda a potência vocal possível. O estacionamento da FIERGS em Porto Alegre urrava de uma maneira ensurdecedora, dizem que o vento levou os gritos até a ponte do Guaíba. Não duvido.

As pessoas urravam, mas eu não. Fiquei calado. Diferente do show do Queens Of The Stone Age em que berrei sem parar durante os dois primeiros minutos de You Think I Ain’t Worth A Dollar, But I Feel Like A Millionaire, nada de voz saiu durante os primeiros minutos de Something From Nothing. Condição que só mudou quando a música chegou em “fuck it all I came from nothing”. Nessa hora eu consegui raciocinar melhor o que estava acontecendo e cantar junto. Que brisa.

Dia 21 de janeiro de 2015 o Foo Fighters fez pela primeira vez um show em Porto Alegre. E eu fui pela primeira vez a um show do Foo Fighters. Que demais! Depois da música de abertura do novo álbum, a banda emendou The Pretender

Nota: nesse momento rolou um flashmob em que a galera jogou papel picado vermelho para cima, simulando o efeito do clipe e no mesmo momento da música. O vento levava os papéis para a direção em que soprava e dava uma sensação de que tudo estava vindo de muito longe. Foi massa. Encontrei papel no carro até no dia seguinte e não faço ideia como chegou até lá.

Learn to Fly e Breakout, com Dave Grohl deixando a galera cantar sozinha o primeiro refrão, como já fizera outras vezes.

Foto: Duda Bairros / T4F
Foto: Duda Bairros / T4F

Depois disso o que vimos foi um desfile de composições extraordinárias de uma banda que está completando 20 anos de história e possui 8 álbuns de estúdio, todos sucesso de crítica e público.

O Foo Fighters tocou músicas de todos os álbuns. Dave Grohl, que parece ser parceiro demais, conversou bastante e pareceu gostar da gente tanto quanto gostamos dele. Sobre o setlist, até brincou. Foi mais ou menos assim:

Hoje vamos tocar músicas do nosso primeiro álbum
do nosso segundo álbum
do nosso terceiro álbum
do nosso quarto álbum
do nosso quinto álbum
do nosso sexto álbum
do nosso sétimo álbum
do nosso oitavo álbum
do nosso nono álbum
brincadeira, nós não temos nove álbuns…

E foi isso mesmo. Todas as fases do Foo Fighters foram representadas em 3 horas de show – previamente anunciado pelo próprio Dave (3 FUCKING HOURS!!!).

Foto: Duda Bairros / T4F
Foto: Duda Bairros / T4F

Do homônimo álbum de estreia ao derradeiro Sonic Highways fomos nos divertindo. Após as quatro primeiras músicas, a banda tocou, em ordem: Arlandria, Generator, My Hero, Congregation e Walk. E então veio o momento da apresentação da banda. Dave Grohl falou ao microfone, em tom de brincadeira: “Vou apresentar a banda para vocês. Eles dizem que são os Foo Fighters” – falou ironizando o nome que ele mesmo inventou e que ele mesmo julga bobo.

Após apresentar Chris Shiflett, Nate Mendel, Pat Smear e Rami Jaffee, apresentou Taylor Hawkins, que em vez de fazer um solo de bateria fez uma brincadeira vocal ao melhor estilo Freddie Mercury.

“Geralmente os bateristas tocam muito melhor do que cantam”, falou brincando – não é minha opinião, mas provavelmente referindo-se a si mesmo? – antes de anunciar que tocariam Cold Day In The Sun, som que é cantando por Hawkins. Em seguida, tocaram In the Clear, I’ll Stick Around e Monkey Wrench.

E se não bastasse todo esse gigantesco repertório, a banda reservou alguns minutos para tocar covers. Tudo começou quando Dave Grohl avançou na parte do palco em que dividia as duas pistas premium e foi cantar bem na frente das pessoas que estava na pista comum – e que pagaram menos – fazendo com que todos que estavam presentes tivessem oportunidade de ver mais de pertinho.

Foto: Duda Bairros / T4F
Foto: Duda Bairros / T4F

Dave pegou o violão e começou a tocar sozinho Skin and Bones. Minutos depois o tecladista Rami Jaffee também chegou à frente e, com uma gaita, acompanhou até o final. Dave ainda puxou Wheels antes de pegar novamente a guitarra e cantar ali na frente uma parte de Times Like These. Enquanto cantava o segundo refrão a banda apareceu de novo em um minipalco giratório, que parou no meio da pista premium. Sensacional.

Foi nessa hora que dispararam, além do final de Times Like These, uma sequência de covers. Detroit Rock City, do Kiss, Miss You, dos Rolling Stones e duas do Queen: Tie Your Mother Down (com Dave Grohl na bateria e Taylor Hawkins com o microfone em mãos) e Under Pressure. O minipalco foi uma das coisas mais divertidas do show. Parecia que eles estavam muito à vontade, ensaiando para uma galerinha de 30 mil pessoas enquanto bebiam cerveja e champagne. Coisa rotineira. O palco girou para os dois lados e todo mundo que estava ali viu um show à parte.

Durante Miss You, Dave colocou uma bandeira do Rio Grande do Sul em volta do pescoço. O delírio foi completo.

O desavisado Rami Jaffee, entre Miss You Tie Your Mother Down, resolveu dar uma dançada pelo palco e tentou fazer algo parecido, vestindo-se com uma bandeira do Internacional. Primeiro veio uma onda de aplausos, mas as vaias foram maiores. Ele não entendeu muito, jogou a bandeira longe, ficou tri sem jeito e apontou para a garrafa de cerveja que estava em sua outra mão. Pobre Rami que jamais imaginara o tamanho da rivalidade GreNal que existe por aqui. Maior sinuca de bico. O telão mostrava Dave Grohl, já na bateria, se estourando de rir desse momento, com o microfone aberto. E eu ri junto.

A brincadeira acabou e a banda voltou ao grande palco para o último ato do show. Não havia cansaço (mentira, havia sim, mas parece que não se sentia isso), ainda mais quando começaram com All My Life e seguiram com These Days, Rope e a nova Outside. A essa altura, Grohl havia avisado que eles não faziam bis. Que estavam ali para tocar durante 3 horas direto, sem ter que sair e voltar do palco. E então a banda deixou Porto Alegre com Best Of You e Everlong – que é a melhor de todas.

Dave Grohl elogiou muito a plateia. E prometeu voltar a Porto Alegre, cidade que ele não conhecia e que o surpreendeu muito positivamente. Estamos aguardando desde já, mas de preferência em um local com uma estrutura melhor, onde o som dê conta da grandiosidade do espetáculo e que um copo d’água de 200ml não custe 10 reais durante o show (duvido que mude isso). Apesar desses pequenos pesares, eu faria de novo. Obrigado, Foo Fighters!

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  • william

    Parabéns pelo texto. Quase chorei lendo aqui. A plateia deu show e eles amam o que fazem. Espero vê-los pela quarta vez!