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Colocou tudo na mochila e foi para longe. Com esperanças e frustrações, foi para o mais longe que pode ir. Não queria mais ser quem era. Estava esgotada daquela vida medíocre. Cansada de ser quem sempre foi, aquilo que sempre esperaram. O que o pai queria, o que a mãe sonhou, o que namorado admitia. Viveu oprimida por ideologias alheias, sentia-se reprimida de ser quem era, de ser ela mesma, autêntica. Viveu querendo ser mais para o outro que para si. Esqueceu por alguns momentos que o amor deveria vir primordialmente de dentro. Quis tanto agradar, percorreu tanto essa tal de aprovação que se deixou de lado, esqueceu de si.

Mas agora era hora de recuperar o tempo perdido. Antes tarde que nunca, não é mesmo? Quis mudar. Mudar radicalmente, deixar completamente para trás a imagem de que um dia foi. Cortou seus longos cabelos. De morena passou a ruiva. Fez uma nova tatuagem que cobriu o braço, colocou um piecing e fez um terceiro furo na orelha. Seu visual deu um giro de 360º, mudou absolutamente. Todas as roupas que seu pai reclamava e seu namorado fechava a cara, agora faziam parte do seu cotidiano. Desde as mini-saias aos croppeds que tanto gostou de usar. Tudo que a fazia se sentir bem, se sentir bela, inclusive seu batom vermelho, cor de rubi que fazia um belo contraste com sua pele.

Agora ela havia um grande meio de mudança em suas mãos. Tinha o bilhete que podia mudar sua vida, a passagem só de ida para São Paulo. Ia fazer um trabalho como modelo, umas fotos sensuais, que outrora era inimaginável devido a vida repleta de interdições que se sujeitou a levar em prol de uma enganosa felicidade. Resolveu se libertar. De uma vez por todas, se libertar. Ia viver uma nova vida, também ia se arriscar nos bares e palcos paulistas. Construiria sua nova vida dia após dia com a força diária que teria para se reinventar. Quis ousar descobrir, conhecer um lado seu ainda oculto, uma força profunda que dormia. Sabia que haveriam altos e baixos, mas quis tentar. Sentia-se vitoriosa apenas com o fato de ter abandonado e deixado tudo que não a convinha mas para trás. Já era uma grande conquista. O que viesse era lucro e aprendizado. Foi, foi pronta para si arriscar nos palcos da vida, para fugir… Fugir para dentro de si mesma.

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Letícia Moreira

Letícia Moreira

Estudante de letras-francês,apaixonada por todo tipo de arte, especialmente literatura, música, cinema, teatro. Amo os felinos e tenho 3 gatos. Escrevo de tudo um pouco, mas especialmente sobre cultura e relacionamentos e também me desperta muitíssimo interesse assuntos sobre psicologia.
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