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Foram cinco meses de espera após ficar mais de 16 horas na fila em frente ao computador para comprar o ingresso para o show do Guns N’ Roses em Porto Alegre. Não consegui, mas fui salvo graças a um amigo que estava em Porto Alegre na época e não hesitou em comprar os tickets no seu cartão de crédito.

Peço licença aos amigos leitores, mas dizer o nome desse amigo (não é todo dia que alguém empresta dinheiro para comprar ingresso para alguém, ainda mais o cartão de crédito) é como uma forma de agradecimento: Vinicius de Moura, obrigado.

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Ingressos na mão, saímos de Passo Fundo (interior do Rio Grande do Sul) rumo à capital. Reservamos um hotel pelo site, pagamos uma bagatela pra ficar em hotel bom e perto do show (R$ 150 para cada um), café da manhã garantido para a volta e uma boa noite de sono. Senhoras e senhores, planejamento é tudo na vida de uma pessoa.

Enfim a fila, tudo certo. Era aguardar e sobreviver à tentação de comprar algo dos ambulantes. Impossível, na conta três cervejas, dois botons e uma camiseta. A fila seguia aumentando de forma organizada pelos funcionários, que usavam megafone e indicavam o fim da fila para os fãs.

Abertura dos portões e seguiu a galera entre o gradeado de entrada, alguns malandros tentavam furar a fila e prontamente eram denunciados por vaias e uivos da galera.

Ao acessar o estádio, revista e em seguida a emoção de chegar ao local do show. Uma megaestrutura e as pessoas da pista se aglomerando para garantir o lugar mais perto possível. Cerveja R$ 15 e o copo da turnê R$13 na mão do ambulante.

Deixei os amigos e fui até o bar do estádio, lá a cerveja a R$13 e o copo de graça, comprei também a última bandana oficial da banda e uma sacola ecológica oficial (presente para a patroa, que preferiu não se aventurar e aprovou a viagem). Se tivesse uma loja oficial fora do estádio não teria comprado a camiseta lá fora (agora paciência, vou usar a falsificada). Em tempo: um relacionamento deve sempre respeitar a individualidade do outro, você não pode mudar a pessoa, você deve amá-la do jeito que ela é.

Aproveitei e fui ao banheiro, muvuca total, alguns conhecidos pelo caminho ensandecidos pela oportunidade de ver a banda na sua formação de tríade inicial (Axl, Slash e Duff). Na volta peguei a sacola e suas alças, coloquei junto a cinta, assim tinha uma mochila no show e os braços livres, ali guardei os copos comprados no bar.

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Antes do show veio uma moça de óculos espelhados à frente do palco, perdoe não ouvi o nome dela. Era DJ, veio animar a galera, mesclou batida eletrônica com clássicos do rock, achei bacana, no meio da intervenção apareceu um jovem da década de 70 com uma guitarra e uma camisa de surfista (estampada) e tocou junto um solo.

Depois veio a banda de abertura, não curti, acho que não conseguiram se ajustar com a parafernália de equipamentos de som.

Enquanto isso apareceu um alemão com uns copos do show nas mãos e lotados de ceva. Num show você fica aberto a novas amizades, aconteceu na fila, perto do palco, e agora esse rapaz. Disse que era de Caxias do Sul. Ofereceu a ceva pra mim e o meu fiel escudeiro Moura, eu aceitei. O Moura fez uma cara de reprovação, mas pegou a ceva também. Só que esse cara começou a incomodar, depois eu ignorei o cara, discutiu com uma guria que estava ao lado e por aí foi, até vazou, bah chato no show, já chega o trânsito, em um show vá com o espírito leve, mas não seja trouxa, me disse o Moura, quando foi minha vez de pagar uma cerveja pro tal alemão. Para me livrar dele usei a técnica da indiferença, quando começou o show tinha sumido, queria atenção, foi incomodar outro.

Entre fotos e vídeos o show iria começar, percebi no palco um batalhão equipado com capacetes próprios de rapel, e lá de cima onde fica a iluminação desceu uma escada e a turma subiu, não faço ideia se era para consertar ou por lá ficariam durante o show.

A apresentação iniciou 20 minutos depois do previsto, em se tratando de Guns N’ Roses isso não é atraso. Não foram tão pontuais, em comparação aos Stones em Porto Alegre (também fui nesse) em que subiram ao palco às 21h01 e o ingresso prometia 21h, mas ainda pode ser que meu relógio na época estivesse atrasado.

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Foto: Katarina Benzova Photography

Que baita show, quem manda na banda é o Slash, Axl se mostra mais profissional do que nunca (disse obrigado ao público em português) e ao cantar mostra seu talento e preocupação em agradar (ou seja, enfim amadureceu o astro do rock, até onde li, não quebrou nenhum quarto de hotel). Duff é o simpático, usou boné que a galera jogou pra ele e tocou muito.

Vou escrever somente sobre uma parte do show, o hit November Rain, na frente do palco, mecanicamente do piso onde pulavam Slash e sua turma, silenciosamente subiu um magnífico piano, para os amantes de Opala, parecia um belíssimo Opala Preto modelo 4.1.

Aí vem o roadie e coloca o banco e o microfone junto ao piano (aquele com a espuma vermelha, clássico, quem é fã sabe), volta ao backstage e traz três copos, é preciso hidratar a voz da fera (duvido alguém saber o que tem lá dentro destes copos). E aí vem a música, o estádio vem abaixo.

Show é para curtir, se fosse para filmar você trabalharia na TV! A tela do celular ou ver ao vivo? Filme uma ou duas músicas, nenhum celular tem uma supercâmera e provavelmente o vídeo não ficará top, já a sua memória te garanto que vai ajudar, desde que você não encha a cara, deixe para beber no final de ano com a família, não seja juvenil.

No show tinha mais de 49 mil pessoas, todas filmaram alguma coisa, e que estava ao meu redor cometeu o erro clássico, não viu o palco, viu a tela do celular. Deixa a filmagem para a fotógrafa oficial da turnê, Katarina Benzova Photography.

Foto: Katarina Benzova Photography
Foto: Katarina Benzova Photography

Um show pensado em cada detalhe, em cada acorde o palco dançava com a música (seja em imagem do palco projetada no telão, ou as imagens produzidas exclusivas para cada pancadaria da banda, que na real é painel de led, telão é coisa do passado). Tudo foi pensando, fogo na hora do riff da guitarra e no bis canhão de papel picado nas cores do Brasil. Baita show.

Em relação à produção de um grande show no Brasil estamos na era dos dinossauros, os americanos vivem na contemporaneidade, não em criação, mas em produção sim.

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Álvaro Henkes

Álvaro Henkes , Brasileiro da colheita de 1985 , jornalista por escolha e formação, nas horas vagas é atleta.
  • Ricardo

    Nao tenho costume de ler esse tipo de texto mas me agradou o desenrolar do conteúdo e fiz a leitura de tudo! Ótima história. Parabéns Álvaro