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Ele se tornou nome de universidade, ruas e edifícios, além de ser frequentemente exaltado pelos pernambucanos.

Esse é Maurício de Nassau, um nobre militar de origem holandesa e alemã que ficou no Brasil entre 1637 e 1644. O curto período foi suficiente para deixar seu nome marcado na mente e nos corações dos nordestinos e entrar para a história.

Desde pequeno, Nassau foi enviado a diversos colégios que lhe deram uma forte base humanística. Entre 1616 e 1619, estudou no Colégio Mauritianum, onde aprendeu diversas línguas estrangeiras, como francês, italiano e espanhol, além de ter contato com outras disciplinas, como história e filosofia.

Assim como vários membros de sua família, decidiu seguir carreira militar. Teve grande destaque em diversas campanhas militares – entre elas, a guerra dos 30 anos dos Países Baixos contra a Espanha, o sítio de Den Bosch e a reconquista de Schneckenhaus. Em 1626, foi promovido a capitão e, em 1629, a coronel. Com tal relevância, passou a ser extremamente conhecido e respeitado.

A vinda do militar para o Brasil tem origem financeira. Grande entusiasta da arquitetura e das artes, começou a construir o luxuoso palácio Mauritshuis (Casa de Maurício, em português) em 1632, que foi um importante prédio histórico e museu de Haia.

Por causa dessa construção, acumulou muitas dívidas, o que, de acordo com os historiadores, o fez aceitar o convite para controlar a colônia holandesa no Brasil, feito pela Companhia das Índias Ocidentais – empresa que administrava as colônias e o comércio internacional.

Casa de Maurício
Casa de Maurício, em Haia

Chegou em Recife, em Pernambuco, com 33 anos, em 1637. Em agosto do mesmo ano, foi nomeado governador-capitão e almirante-geral. Como era um grande apreciador das artes, trouxe consigo um respeitável time de pintores e arquitetos, além de cientistas, astrônomos e escultores.

Foi recebido com grande entusiasmo pelos locais, sobretudo porque a colônia passava por grandes problemas e muita corrupção. Seu governo durou sete anos.

Se o nome de Maurício de Nassau está intrinsecamente ligado à cidade de  Recife, é porque ele promoveu diversas mudanças durante seu governo na região.

O militar foi responsável por alçar a pequena vila em uma cidade urbanizada. Para tanto, construiu pontes, o Jardim Botânico, o Museu Natural e o Zoológico, além de efetuar melhorias no serviço público,  investir em saneamento básico e liberar o culto religioso. A sua relação com os senhores de engenho também era amistosa, já que o militar implantou medidas para reduzir a carga tributária para os engenhos.

Nassau também projetou a cidade Maurícia, que abrangia parte de Recife. A construção tinha como base conceitos modernos de urbanismo e defesa, com trincheiras e fortificações.

Outro legado de Nassau foi em relação ao incentivo da cultura e da ciência. Trouxe pessoas desconhecidas e renomados profissionais de diferentes áreas de atuação, como médicos para estudarem doenças tropicais, cientistas para estudarem a fauna e a flora local e artistas. Instalou, também, o primeiro observatório astronômico das Américas.

maurício de nassau

Os holandeses ocuparam o nordeste brasileiro a partir de 1630 com o intuito de explorar a economia açucareira. Maurício de Nassau foi um dos responsáveis por expandir o domínio holandês no país, conquistando também o Ceará e o Maranhão.

Após desentendimentos com a Companhia Das Índias Ocidentais e de ter fracassado na ocupação da Bahia, Nassau decidiu entregar seu cargo e deixou o Brasil em 1644. Os holandeses, no entanto, só foram efetivamente expulsos do país em 1654.

De legado, os holandeses deixaram o traçado das ruas e a inspiração arquitetônica. Nenhum prédio atual, contudo, foi construído naquela época.

A crença popular, por sua vez, é de que se os holandeses tivessem permanecido, tudo seria melhor e diferente.

Mas os especialistas discordam dessa afirmação.

Em entrevista ao portal G1, a professora Virgínia Almoêdo disse que é difícil saber o que aconteceria se ele ficasse. “É difícil de imaginar, porque ele tinha uma companhia que financiava seus projetos. Sem o apoio dessa companhia, não teria como ele governar”, opinou a especialista em Brasil Colônia.

Apesar disso, a relevância histórica de Maurício de Nassau é inegável.

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