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Gabriel Garcia Marquez

Em 1959, Fidel Castro assumia o governo de Cuba, coroando a vitória da Revolução Cubana que ocorria desde 1953. Como um sopro de esperança e renovação, a ascensão socialista liderada por Cuba teve influência nos mais diversos âmbitos da sociedade latino-americana, e inclusive, na geração de escritores da época (mesmo que o ideal democrático pregado por seus líderes tenha fracassado posteriormente).

A partir deste momento, Havana passaria a atrair vários artistas e autores: alguns europeus, como Hemingway, e outros, latino-americanos, como Carlos Fuentes. Este, acabaria se tornando o principal propagandista e difusor do momento literário que viria a ser chamado de Boom, o qual representa um momento de intensa produção e promoção da literatura latino-americana pelo mundo todo, iniciado na segunda metade do século XX.

carlos fuentes

Estilisticamente, as obras do Boom trazem a inserção de técnicas de escrita modernistas (baseadas nas obras de Joyce, Faulkner, Kafka, entre outros) em romances regionalistas latino-americanos, ou seja, uma mistura entre a literatura europeia e as tradições culturais indígenas e criollas de países pós-coloniais.

Com isso, os autores do Boom buscavam construir uma identidade cultural para a América Latina, utilizando-se de experimentações e incorporações de ideias opostas, como, por exemplo, o misticismo e o racionalismo, o campo e a cidade, a cultura dominante e a cultura dominada, etc.

mario vargas llosa gabriel garcia marquez boom

Embora muitos autores tenham publicado obras neste período, os quatro grande escritores que alcançaram notoriedade internacional na época do Boom foram Carlos Fuentes, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar e Gabriel García Márquez; o último, autor do romance “Cem Anos de Solidão”, tornou-se o principal representante da literatura latino-americana, consagrando o gênero “Realismo Mágico” e influenciando posteriormente autores do mundo todo.

O Boom foi alvo de diversas críticas; uma parte delas era  proveniente de outros autores latino-americanos adeptos ao gênero indigenista, os quais condenavam a natureza comercial das obras do Boom – voltadas para o público estrangeiro. Outros críticos afirmaram que os principais autores do Boom só haviam conseguido sucesso mundial por sua formação em países europeus e suas conexões com editores e agentes, e não porque eram mais brilhantes do que os demais.

julio cortazar boom

De qualquer forma, é fato que esta geração de autores atraiu olhares nunca antes dispensados à América Latina. Tão grande foi sua repercussão ao redor do mundo, que escritores de outros continentes (como a Ásia e a África) passaram a espelhar-se nas obras do Boom, com a intenção de eles mesmos trazerem a tona as questões culturais e sociais concernentes a seu próprio contexto histórico, dando voz para narrativas que valorizassem culturas consideradas marginais e para sociedades que, historicamente, haviam sido reprimidas pelas imposições normativas de seus colonizadores.

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