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Orson Welles foi o maior. Com a categoria de poucos, foi um cineasta muito à frente de seu tempo. É considerado por muitos críticos e cinéfilos como o maior diretor de cinema de todos os tempos. A obra-prima ‘Cidadão Kane’ desfila em primeiro lugar em inúmeras listas sobre os melhores filmes da história. Como todo gênio, deixou marcas consolidadas em seu ramo, mas também trabalhos inacabados, interrompidos por um ataque cardíaco fulminante, em 1985.

“The Other Side Of The Wind” foi o último filme de Orson Welles, mas que ainda não foi visto por ninguém. A produção começou a ser rodada no início dos anos 1970 e marcaria o retorno de Welles à Hollywood após uma década vivendo na Europa. O roteiro é baseado na história de um diretor de cinema chamado Jake Hannaford, que volta à Hollywood após uma década vivendo na Europa para trabalhar em um filme chamado… “The Other Side Of The Wind”. Curioso, não? Apesar de parecer que sim, Welles quando vivo negou que o filme teria caráter autobiográfico.

Welles, Bogdanovich, and Joseph McBride on the first day of shooting, in August 1970. (1)
Welles, Bogdanovich, e Joseph McBride no primeiro dia de gravações, em agosto de 1970 | Foto: Felipe Herba

O filme tinha uma promessa de ser inovador, assim como Orson foi durante sua trajetória. “The Other Side Of The Wind” acontece durante um único dia. É uma espécie de reconstrução de uma festa, em que Orson utiliza cenas capturadas por várias pessoas, como convidados e paparazzis. A festa, no caso, é realizada na casa de Jake Hannaford, logo antes de sua morte. Mais uma ironia. Durante a produção do filme, Orson Welles chegou a dizer ao ator John Huston, uma das estrelas do filme:

“É um filme sobre um diretor canalha… é sobre nós, John. É um filme sobre nós.

Em 2014, a produtora Royal Road Entertainment adquiriu os direitos do filme inacabado. São 1.083 rolos oriundos de oito anos de gravação e que correspondem a um pesadíssimo material de 1,6 toneladas. Com a relíquia em mãos, ou em depósitos, o filme poderá agora ser realidade.

Os produtores Filip Jan Rymsza, Frank Marshall e Jens Koethner Kaul, junto com o ator Peter Bogdanovich, outra estrela do filme, estão pedindo a ajuda de fãs e cinéfilos para que a produção seja finalizada. Para isso, estão utilizando a alternativa mais antiestabilishment da era da internet, o crowdfunding. Orson Welles teria adorado isso, de acordo com sua filha, Beatrice Welles:

“Meu pai lutou sua vida inteira para conseguir recursos para finalizar seu filmes, mas nunca tanto quanto dessa vez. Ele ficaria verdadeiramente em êxtase ao saber que foram “pessoas que realmente se importam com seu trabalho” que, no fim das contas, tornaram realidade o seu último sonho”.

Por meio da plataforma de financiamento coletivo Indiegogo, os produtores querem reunir 2 milhões de dólares. Os custos serão destinados para o pagamento de edição, trilha sonora e pós-produção. Estão disponíveis contribuições entre U$ 10 e U$ 50.000 para variadas recompensas, como: download digital, DVD, Blu-Ray, pôster, livro com fotos das gravações, ingressos para a premiere em Nova York, charutos comemorativos, cópias dos negativos dos filmes e outras coisas.

As contribuições podem ser realizadas até o dia 14 de junho. J.J. Abrams, Clint Eastwood, Wes Anderson e Steven Soderbergh são alguns dos diretores da atualidade que estão apoiando o projeto. Os produtores acreditam que se a campanha atingir a meta estabelecida, o filme poderá ser lançado inclusive esse ano.

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Flaubi Farias

Jornalista, parolo, navegador, alienígena e editor do La Parola.
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