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Falando sobre o homem certo, Tati Bernardi disse uma vez:

“Tem que amar tudo que eu escrevo e me olhar com aquela cara de: essa mulher é única.”

Para a mulher que escreve, seus textos são como filhos. Sua escrita é o seu trabalho e o seu orgulho. É nas letras desencontradas na página em branco que o seu talento se refaz. Ela tem autoconfiança, isso não há dúvidas. Sabe que há pessoas que gostam dos seus escritos, sabe que tem gente que ama a sua escrita. Sabe que ela, principalmente, não trocaria esse prazer por nada. Mas é preciso (ou pelo menos importante) que ele também sinta o mesmo.

Para uma mulher que escreve, o seu ego é alimentado numa rapidez muito maior quando um texto seu é elogiado do que quando escuta um “você está linda”. “Seu último texto estava incrível” é bem mais eficaz. É saber que o seu trabalho parece estar indo bem. É como pegar seu filho no braço e colocá-lo para ninar.

Para uma mulher que escreve tudo é questão de poesia. Ou de prosa. Aquele casal que está discutindo na mesa ao lado daria um bom texto. A história de vocês daria um ótimo texto. E ela inventaria mundos para criar poemas inéditos, melodias incríveis e uma prosa fácil de ser lida e impossível não ser amada.

Para uma mulher que escreve os 30 minutos de atraso ganham um novo texto. E por falar nisso é muito mais fácil ela se atrasar por um insight de última hora do que por uma maquiagem demorada. Ela escreverá o melhor dos textos nesse curto espaço de tempo. E sairá com você contente. Saberá que na volta, um rascunho a espera para ser editado. Ela já tem o próximo texto da coluna! E nem lutou com a imaginação para isso acontecer.

Para uma mulher que escreve cada texto é quase. É quase um livro. Quase um romance. Quase uma trilogia. Cada texto é muito. Muito orgulho. Muito amor. Muito cuidado. Muito apreço por ele e pelo que contem nele. Cada frase merece duas aspas e um parêntese finalizado com suas iniciais. Cada autoria reconhecida é uma palpitação diferente no coração. Cada carinho do leitor é um novo texto a ser escrito.

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Para uma mulher que escreve é mais fácil escrever um novo romance do que arrumar um namorado. É mais fácil viver histórias, percorrer beijos e abraços e, por fim, envolver um pedaço de cada um deles em seus textos. É mais fácil misturar os lances de sua vida num parágrafo de sete linhas do que fazer um romance durar mais de três meses. Logo logo, ela vai escrever sobre vocês dois e então ou você aguenta a declaração exposta em uma crônica num domingo à tarde ou cai fora. Sinta-se honrado se os leitores dela estiverem servidos de um romance real onde você é o protagonista. Muitos foram os anti-heróis de histórias com finais melancólicos.

Para uma mulher que escreve, uma xícara de café bem quente nunca é recusada. Uma mesa no seu quarto é objeto indispensável. Uma máquina de escrever ou um notebook apenas com o Word instalado é questão de sobrevivência. Um bloco de anotações e uma caneta não podem faltar na bolsa de uma mulher que escreve. A maquiagem fica em casa. Mas o batom carmim e o kit sobrevivência da implosão a acompanham em qualquer lugar. Um vinho no momento da escrita é inspiração. Sai amor em todas as linhas. Ou amargura em cada parágrafo. Algumas cervejas a faz escrever verdades escancaradas. Cuidado no que oferece para a moça que escreve.

Para uma mulher que escreve é mais fácil dizer que ama um livro ou um texto do que pronunciar as três palavrinhas mágicas para um homem. Mas se ela se entrega, meu amigo, se prepare para a enxurrada. Vão faltar palavras. Para uma mulher que escreve é mais bonito o pudor em suas linhas do que a falsidade exposta pelo mundo. É mais urgente espalhar amor entre linhas do que dissipar o ódio. Para uma mulher que escreve não importa o momento, não importa o que está fazendo, não importa o local: ela vai parar e escrever se assim a sua imaginação mandar. Não há reticências, quases e metades para uma mulher que escreve. Ou você é tudo ou você é nada. Copo vazio só cai bem num texto meia boca de “não deu certo”. Portanto, finalizo como comecei. Já diria nossa escritora Tati Bernardi:

“Tem que amar tudo que eu escrevo e me olhar com aquela cara de: essa mulher é única.”

Porque, acredite, ela realmente é.

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