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– Pra que serve um professor?

No primeiro período do meu curso fui surpreendida de cara com essa pergunta em um horário nada agradável de se estar numa sala de aula. Perfeitamente clichê, respondi de imediato: “Transmitir conhecimento.” Nada errado. Filosoficamente, fui corrigida com outra explicação: “Para tentar ensinar a ser feliz.” Meu professor de sociologia arranjou a melhor das utilidades de um professor. Ensinar a ser feliz. Não basta saber quem descobriu o Brasil, quem gritou Independência ou Morte, qual o valor de x, tampouco qual o vírus da AIDS.

Quando era pequena ouvia sempre uma música que dizia: “Professora que corrige os erros meus, me ensina a dizer eu te amo, mas não me ensina a dizer adeus.” Até hoje cantarolo por aí. A quantidade de mestres que tive no decorrer da minha vida (ainda curta até o momento) e que ainda terei, é infinita. Alguns deixaram o rótulo de apenas professores e tornaram-se amigos, companheiros de luta. A começar pela minha mãe, que me ajudou a lidar com os números e com as palavras e me deu a ousadia e o prazer de ser sua aluna durante dois maravilhosos anos. Eu encho meu peito de orgulho pra dizer que minha mãe é professora. É clichê e ridiculamente repetitivo, mas se não fosse pessoas como ela, não teríamos médicos cuidando da nossa saúde, não teríamos profissionais que cuidassem da justiça no nosso país, quiçá presidente da república. E é lamentável, num país com tanto déficit educacional não oferecer, sequer, o mínimo de respeito e compreensão a esses mestres.

Não falo apenas de salário. Os nossos representantes, nesse momento talvez, estão relaxando numa casa luxuosa com no mínimo 2 carros na garagem. Esses que, se não tivessem passado pelas mãos de um professor, jamais teriam chegado onde estão. E ganham milhares de dinheiro para vestir um paletó. Enquanto isso, os que nos ensinam a estudar e conquistar os nossos objetivos, pegam um transporte público de má qualidade, são desrespeitados, humilhados e rechaçados por um povo que foi educado pelos políticos. Se na versão criacionista Deus criou o homem, na minha versão o homem é fruto dele mesmo.

Hoje é 15 de outubro. E não falo de uma maçã em cima do “birô”, uma rosa no final do dia ou um chocolate de consolação. Eu falo de palavras. De emoção. E de mudança. Não é só dia de parabéns, beijos e abraços. É dia de agradecer. De espalhar humildade pelas ruas e perceber que se não fossem os nossos professores, não seríamos grande coisa. É por isso, é por admirar profundamente essa profissão digna e exaltadora, que eu deixo aqui os meus sinceros agradecimentos.

Todas as vitórias que conquistei até o dia de hoje não as fiz sozinha. Se minha mãe me ensinou a ler e escrever, outros mestres me ensinaram a usar essas palavras de maneira sábia e construtiva. Ensinaram-me a encaixá-las nos lugares e momentos certos. Professores, que vocês chamam de educadores, me ensinaram a criar laços, a construir um mundo que só o saber consegue. Nada fiz sozinha. E hoje eu tenho (eternos) professores que são muito mais que educadores ou lecionadores, são amigos que eu fiz no decorrer da vida. E que podem se passar meses e até anos, eu sempre vou ser eternamente grata pela paciência, pela sabedoria e pelo prazer, vontade e gentileza de compartilhar todo o seu conhecimento, de vida e também de conteúdo, com pessoas que se perguntam o que querem ser quando crescer. Hoje eu sei responder. E foram vocês que me ensinaram tudo isso. Hoje eu faço jornalismo por insistência de três professores essenciais na minha formação. Eram eles que diziam: “jornalismo é o seu curso, é lá que você vai terminar um dia”. Hoje eu sinto falta de cada um deles, mas levo os ensinamentos e as palavras em todas as decisões que preciso tomar.

Não posso dar-lhes o salário que merecem, a dignidade que procuram ou o respeito que se esvaiu. Mas eu posso encher meu peito de orgulho e dizer que vocês foram as pessoas mais importantes na minha vida. E que não desanimem (embora eu não seja ninguém pra dizer isso). Vocês não só compartilharam conhecimentos. Vocês construíram vidas. Vocês me colocaram no lugar certo. Deram-me o empurrão para um futuro que eu procuro.

Finalmente: feliz dia dos professores.

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Dani Fechine

Graduanda em Jornalismo.

Conta histórias da vida, do que escuta, do que observa, do que lê e do que vive. É uma amante da vida real, mas não larga sua própria ficção.

Escreve também no seu Blog Pessoal, o Escrever Para Não Implodir.

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