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“Volta e meia encontro algum amigo de tempos que me pergunta: – E tu, ainda está pintando? Como se eu tivesse que parar de brincar e começar a trabalhar de uma vez!”

Viver da arte é o sonho de muitos, muitos mesmo, talvez quase todas as pessoas que conheço. Alguns de fato seguem a busca até conseguir o reconhecimento, outros fazem sua arte apenas pela arte, e também existem aqueles muitos que desistem antes mesmo de tentar. De qualquer maneira, enfrentar a falta de reconhecimento da “sociedade/mercado”, – que não se importa em pagar altos preços por um pedaço de tecido, mas acha muito caro pagar 80 reais em um livro ou um quadro – é um desafio diário, é uma arte por si só.

E é assim que o artista plástico Fabiano Millani, faz da sua arte realidade. Millani dedica-se ao desenho desde adolescente, durante as aulas entediantes de matemática na escola. Ao invés de se concentrar no quadro branco, preferia dedicar-se às folhas brancas do caderno. Ao invés dos números, os desenhos.

Foto: Divulgação

“No tempo de escola já era completamente apaixonado pelos desenhos, ao invés de prestar a atenção nas aulas, estava desenhando as professoras e os colegas, mas tudo de uma forma muito discreta, ao menos eu pensava que ninguém mais estava sabendo de nada.”

Mas a verdadeira origem desse relacionamento com os desenhos começou muito antes disso, em uma época em que a imaginação é a maior das nossas qualidades, a infância.

“Quando pequeno, morávamos para fora e não tínhamos condições de comprar os brinquedos da moda, me lembro bem dessa parte. Gostávamos dos bonecos de super-heróis, eu e meus dois irmãos Rodrigo e Leonardo, passávamos a manhã desenhando os personagens, depois recortávamos para podermos brincar com eles. Foi ficando cada dia mais divertido, pois havíamos encontrado uma forma de ter o herói que queríamos ter. Claro nada comparado com o verdadeiro boneco das lojas, mas se tornava o suficiente para dar sequência a brincadeira.”

Desenho artístico: Resiliência

 

A arte como profissão

Aos 17 anos Millani fez o primeiro curso de desenho artístico, com o fotógrafo Edegar Cavalheiro no Centro Municipal de Cultura de Santo Ângelo (RS), logo no ano seguinte, em 1998, já estava ministrando o mesmo curso, dando inicio a sua incansável busca pelo realismo.

 

Desenho realista: O velho do espelho

“Anos atrás, eu tinha uma necessidade séria de conseguir desenhar o máximo possível parecido com uma fotografia, com menos erros possíveis. Com o passar do tempo essa busca foi sumindo.”

Atrás da perfeição foi que Millani atravessou fronteiras e encontrou novos movimentos artísticos. Além dos desenhos realistas, Fabiano conheceu o surrealismo e encontrou uma nova paixão, as tintas.

Em 2003, participou do concurso estadual “Descobrindo Talentos” realizado pelo SESI, quando conquistou o 3º lugar com a obra “O Executivo”, para em seguida concluir o curso de pintura contemporânea com Tadeu Martins.

“Conforme fui aprendendo mais, a busca pela realidade foi perdendo um pouco o sentido e naturalmente foi crescendo para outro lado, mas totalmente perdido ainda, sabia que não era mais isso que eu queria e sem saber para qual direção seguir, comecei a experimentar novas formas de pintar, dessa maneira poderia dizer sinceramente o que estaria me agradando.

A dificuldade para quem tem praticado o realismo por muito tempo,é de conseguir ver o outro lado da tela, a parte simples e verdadeira da pintura, o real exige muito mais na questão pictórica, uma pintura muito mais detalhista. É difícil de explicar, mas sei que quero pintar além dessa máscara, não que seja uma evolução, mas com certeza é uma satisfação unicamente minha.”

Pintura moderna a óleo sobre tela: Silêncio

Como todo artista independente, Fabiano também enfrentou preconceitos, muitas vezes bateu de frente com a ideia permanente na cabeça das pessoas de que a arte é um “hobby” e não serve como profissão.

“Sofri dificuldades gigantescas. Inúmeras vezes tive que desistir do sonho de sobreviver da arte, largava tudo e caía literalmente na corrida pelo trabalho de carteira assinada, o sistema sempre ali, me atormentando pela estabilidade. Entre esse caminhar em círculos, fui conhecendo mais alguns clientes que hoje posso chamar de anjos, pois sem isso não teria condições da dedicação total às artes, que tenho a maior alegria em afirmar hoje.

Volta e meia encontro algum amigo de tempos que me pergunta: – E tu, ainda está pintando? Como se tivesse que parar de brincar e começar a trabalhar de uma vez! De fato foram poucos que acreditaram quando mais precisei.

Ser artista no Rio Grande do Sul para mim é um prato cheio, é onde tudo faz sentido, é a minha família e meus amigos.”

Fabiano Millani
Foto: Divulgação

Fabiano Millani é paulista de origem e gaúcho de criação. Desde criança vive em Santo Ângelo (RS), junto de sua família.

Além do 3º lugar no concurso “Descobrindo Talentos”, também conquistou o 2º lugar no concurso “80 anos de Coluna Prestes” com a pintura “Cartas Vermelhas” em 2004.

A partir de 2005, começou o estudo figurativo, pintando diversas telas inspiradas no seu cotidiano. Nesse contexto, foi convidado para pintar o seu primeiro monumento denominado “Cristo na cruz”, de 9 metros de altura, em São Valentin do Sul (RS). No ano seguinte conquista o 1º lugar no concurso de pintura alusivo ao 61º aniversário de criação do 1º Batalhão de Comunicações de Santo Ângelo.

 

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Juliana Acco

Jornalista, gaúcha, alérgica a corante vermelho e consumidora frenética de informação. Gosto do simples, minha casa é minha mochila e minhas raízes estão nas nuvens. Moro em qualquer lugar, desde que tenha sombra, água fresca e Wi-Fi.
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