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Essa semana discorreu de uma forma especialmente maçante para este que vos escreve. Comecei a labuta normalmente, como é de meu feitio, indo para as aulas na faculdade ouvindo música, no para variar, lotado trem de cada dia que a CPTM nos dai hoje.

Durante o trajeto meus fones estavam demonstrando um contato vacilante com meu celular, por algum motivo o som parava de sair do lado direito, mas ai voltava e depois sumia novamente… Aos poucos isso começou a me irritar, até que quando estava na Avenida Paulista a coisa realmente aconteceu: o fone canhoto quebrou-se e tudo que se ouvia era a bateria, no meu tão amado Grand Funk Railroad.

Resumindo a segunda-feira: tinha o melhor do Hard setentista, mas não possuía meios para ouvi-lo… É como ter a carteira recheada de verdinhas e não poder torrar, o dinheiro claro.

Grand Funk Railroad

Voltei para casa depois da aula e no caminho (num silêncio digno de necrotério), comecei a ver como a música deixava o meu dia-a-dia menos desinteressante. Normalmente chegava em casa em vinte ou trinta minutos, mas isso quando tinha música, porém sem ela cheguei em 45 (não o Aécio) minutos.

O tempo foi o mesmo, mas a sensação foi horrível. O desespero era tão grande que estava quase batucando no vidro de meu assento e isso foi apenas na segunda-feira. Na terça tudo foi muito bem, escutei música durante horas em casa, mas quando estava descendo me lembrei do terror silencioso que novamente teria que superar na volta para casa, ou seja, na ida a confusão mental já reinava em minha mente.

O sol estava me matando e sem música não tinha nem aquela brisa de riffs para soprar-me o rosto, o caminho foi rarefeito sem um lick de guitarra sequer. Cheguei no ponto de ônibus e comecei a observar ao meu redor. A cara das pessoas era a mesma, mas em diferentes corpos.

Ver como o silêncio muda as coisas foi realmente chocante nesse aspecto, normalmente com música nos ouvidos você acaba passando batido, mas no silêncio (que não era o da noite, tampouco do Caetano Veloso), pude ver os rostos tristes. A maioria cansados e preocupados.

Entrar no ônibus frio tal qual um vulcão e notar a face de poucos amigos de seus frequentadores… Olhares frios e completamente passageiros que se cruzam, mas se mostram completamente indiferentes, é tudo muito individual e, sem música, o sentimento é ainda mais congelante.

ônibus-pessoas-sentadas-pb

Na quarta-feira tinha uma prova para fazer, mas acreditem, até na hora dos estudos a música era uma aliada, porém, prevendo meu martírio mudo novamente, resolvi estudar sem música de fundo e, assim sendo, a coisa foi pior.

Saindo de casa meio tenso sem melodias na cabeça fui obrigado a pensar em minha prova. Percebia como não estava costumeiramente calmo, fora que o ambiente hostil do ônibus me fez ainda pior. Fiz a prova meio pilhado mas até que obtive uma nota satisfatória, não tive as duas últimas aulas e voltei para casa.

Fiz o retorno em silêncio e quando dei as caras no computador para escrever não tive a mínima paciência para fazê-lo e fui dormir. A quinta se mostrou inútil e meramente ilustrativa e a sexta, apesar de sua mítica alegria, foi tão enérgica quanto um fim de domingo.

Percebam como o fim da música me fez mais direto, menos sociável, produtivo e a causa pode variar, o meu caso foi com música, mas muitos de nós sofremos para mudar a rotina se algo primordial nos falta, ou exige novas ações substitutas, caso esteja ausente. Ainda bem que comprei um fone no domingo… Nessa semana pude sentir na pele que realmente não existe amor em SP, nem mesmo aos sábados.

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  • Marcelo Junior

    Excelente texto, resumiu o que sinto sem meus fones de ouvido.