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Viver no Rio de Janeiro muitas vezes é um exercício de paciência. Imagine para quem nasceu e foi criado por aqui. Somos uma cidade de muitos problemas, mas qual grande capital está completamente isenta de problemas? Tudo bem que entre a garota de Ipanema e o Parque de Madureira existem problemas pra cacete. Trânsito, transporte público, construções sucateadas, assaltos e mais outros inúmeros obstáculos que acredite, nem mesmo a mídia se atreveria a divulgar. Ainda assim sorrimos na cara do perigo. Falamos diariamente sobre o quanto não aguentamos mais essa cidade, mas no minuto que você bebe uma cerveja gelada na praia, encontra os amigos naquele churrasco ou esbarra com um conhecido de anos nos pontos mais inimagináveis da cidade, é impossível não pensar: – Rio de Janeiro é uma cidade foda.

Ser carioca é ser educado, alegre, arrogante e ranzinza. Tudo ao mesmo tempo. Desmedidamente. Mas e daí? Amamos receber de braços abertos os turistas, mas que não ousem ficar apontando defeitos da nossa cidade. Sabe a merda que só quem faz pode reconhecer? Aqui é assim. Já sabe.

Nada se compara aos eventos gratuitos de jazz, exposições, praias e shows inesquecíveis vivenciados no Mário Filho, carinhosamente chamado de Maracanã. Falando nele, quem nunca presenciou um Flamengo x Vasco no estádio não completou o seu treinamento para entender o estilo carioquês de ser. Mas botafoguenses e tricolores também são felizes, porque são cariocas. Tiramos sarro toda segunda e quinta quando o rival perde, mas vai algum time de fora vir aqui para ser manchete no jornal? Se o carioca não estiver rumo ao título, danem-se os outros times do país. Estamos juntos, cara. Cariocas no Rio de Janeiro, porra! Sejamos!

Tentamos ser malandros também. Alguns conseguem e outros não, mas somos marcados principalmente por esse jeito ingênuo, caloroso e ignorante. Amamos com toda força uma noite de sexta na Lapa, mas uns poucos nem gritam em plenos pulmões quando o Carnaval dos milhões invade alguns bairros da cidade. Falando em bairros…paulistas, gaúchos, mineiros, baianos e todo o restante do país, se vocês acham que somos preconceituosos com vocês é porque vocês não viram como funciona o bairrismo carioca. Tijuca x Méier, Copacabana x Leblon, Barra x Recreio, Madureira x Bento Ribeiro, Bangu x Nilópolis e tantos outros destinos viáveis presentes na hora do discurso cotidiano. Rapaziada bota dedo na cara e tudo!

Poderia destrinchar tantas outras situações, lugares e paisagens no contraste mais amado e invejado do Brasil que é o Rio de Janeiro. Talvez não sejamos os cidadãos mais engajados politicamente, os mais inteligentes, religiosos ou mesmo os mais bonitos. Mas não importa. Porque somos os mais charmosos “gente boa”. Aos abraços, beijos e lágrimas inerentes às paisagens, pois o Rio de Janeiro sempre terá um aconchego sacana, amigo e muito especial de ser.

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