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Este artigo tem a única e exclusiva intenção de informar sobre fatos ocorridos no Brasil, que influenciam de forma efetiva a política nacional, ou seja, a vida de todos. Não somos contra nenhum tipo de religião ou doutrina, buscamos apenas uma reflexão de bom senso (ou a falta dele) na realidade onde vivemos.

Antes de tudo, alguns fatos…

Negócio promissor

Bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda), de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), do IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços), entre outros impostos.

Para abrir qualquer outro tipo de empresa você precisa: registrar sua atividade empresarial na Junta Comercial, Receita Federal, Previdência Social, Secretaria da Fazenda do Estado, Prefeitura e Sindicato. Dependendo da natureza da atividade você precisará de licenças e isso tudo levará em média 40 dias. E claro, a lista de impostos é grande.

(Folha de São Paulo)

Ou alcança a meta ou sua fé não vale a pena 

Para se abrir uma igreja Universal, pastores interessados só podiam se tivessem e comprovassem a capacidade de arrecadar no minimo R$150 mil mensais, mas este valor baixou para R$50 mil devido a concorrência. Até recentemente havia uma regra não escrita na Igreja Universal: o bispo Edir Macedo só deixava que um novo templo fosse aberto se tivesse certeza de que poderia arrecadar ali um mínimo de R$150 mil por mês. Menos do que isso, não valia a pena. A concorrência nos calcanhares, sobretudo da Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, obrigou a Universal adotar uma nova estratégia de franquia. Agora, basta o candidato provar que o templo faturará 50 000 reais por mês, no mínimo, e tem a autorização para que abra as portas.

(Inforgospel)

 Mídia o 4º poder

A Rede Aleluia que pertence a Igreja Universal (IURD), possui mais de 76 emissoras de rádio AM e FM que cobre mais de 75% do território nacional, e mais de 20 repetidoras da IURD TV. Na internet, ela tem o portal Arca Universal. Na mídia impressa possui a Folha Universal e as revistas Plenitude, Obreiro de Fé e Mão Amiga. Na área da indústria fonográfica, a Universal conta com a gravadora Line Records, especializada no gênero gospel. A Unipro é responsável pelas publicações de livros da Universal, cujos principais autores são bispos da própria IURD, mas em sua maioria escritos pelo seu fundador Edir Macedo, com dezenas de títulos publicados, cada um com milhões de exemplares vendidos. A Rede Record, embora não pertença diretamente a instituição IURD e sim ao Edir Macedo, é controlada pelos pastores e bispos da Universal, entre eles o bispo Honorilton Gonçalves vice-presidente da emissora. Somando, a Central Record de Comunicação mais as emissoras de rádio e televisão da igreja, torna a IURD como a maior controladora de concessões de televisão do Brasil ultrapassando assim as Organizações Globo em número de emissoras próprias.

(BBC Brasil e Wikipédia)

 Bancada evangélica

Se a bancada evangélica fosse um partido, seria o terceiro maior na Câmara Federal, somente atrás do PMDB e PT. Ao todo são 76 deputados, correspondendo a 14% do total. No Brasil a população evangélica é de 22,2% segundo o Censo Demográfico 2010, com cerca de 45 milhões de fiéis, número que seguramente cresceu até 2013.

Dados do Transparência Brasil indicam que:

1) Da bancada evangélica, todos os deputados que a compõe respondem processos judiciais;

2) 95% da referida bancada estão entre os mais faltosos;

3) 87% da referida bancada estão entre os mais inexpressivos do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar);

4) Na última década não houve um só projeto de expressão, ou capaz de mudar a realidade do país, encabeçado por um parlamentar evangélico.

Marco Feliciano Presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Veja alguns projetos de lei propostos por parlamentares evangélicos:

Lei da calcinha:
Obriga as noivas a se casarem com a roupa íntima e regulam decote do vestido; (Vila Velha/ES)

O púlpito é pop:
Declara o culto evangélico um “patrimônio imaterial” da cidade. (São Paulo/SP)

Lei do Pai-Nosso:
Obriga professores e alunos a orar antes do início das aulas na rede pública. (Ilhéus/BA)

Banheiro Gay:
Cria um sanitário exclusivo para quem se declara gay, lésbica, travesti ou transgênero. (São Paulo/SP)

Não beberás:
Proíbe a existência de bares a menos de 300 metros de uma igreja para garantir a paz dos cultos. (Sorocaba/SP)

Não fornicarás:
Proíbe a instalação de máquinas de camisinhas em escolas para evitar o sexo precoce. (Campo Grande/MS)

Lei do versículo:
Obriga a leitura de trechos da Bíblia antes das sessões legislativas na Câmara Municipal. (Passo Fundo/RS)

Dia do macho:
Institui o Dia do Orgulho Hétero no calendário, em resposta ao Dia do Orgulho Gay. (São Paulo/SP)

Cura gay:
Suspende a resolução do Conselho Federal de Psicologia que, desde 1999, impede psicólogos de tentar “curar” a homossexualidade.

 Constituição Federal

Da organização do Estado
Capítulo I
Da organização político-administrativa

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

Ou seja, o Estado é laico. Essa frase se repete e se repete como argumento contra convicções religiosas impostas no Congresso   Nacional. Porém, assim como todo o resto da nossa lei maior, isso não passa de teoria. A bancada religiosa já influencia o suficiente para me assustar no que se diz respeito ao rumo desse país.

Considerando que a bancada evangélica trabalha em prol de interesses específicos, certamente ela não representa a população brasileira como um todo. Também não se pode afirmar que ela representa os interesses dos 22,2% dos evangélicos brasileiros, pois seria afirmar que todo evangélico é racista e preconceituoso, sendo claramente esta a postura da bancada, com projetos sem escrúpulos, sem debate, sem tolerância.

As leis hoje já beneficiam de inúmeras maneiras interesses específicos religiosos, como a isenção de impostos. Segundo dados da Receita Federal, só a igreja Universal arrecada cerca de 2 bilhões de reais por ano, quer dizer, igreja é um dos negócios mais lucrativos do mundo, enquanto isso os brasileiros trabalham cerca de 150 dias do ano apenas para pagar os impostos, 41,82% da sua renda bruta anual.

Eles ignoram estudos e pesquisas científicas, perseguem homossexuais e quem não acredita ou não segue seus ideais, se preocupam mais em pregar seus princípios, do que de fato trabalhar pelo desenvolvimento do país. O que me assusta mais, é o crescimento acelerado de fiéis evangélicos, potenciais eleitores de novos membros que irão fazer parte da bancada evangélica, até que ela se torne maioria e de fato conquistem o poder.

Enquanto outros países saem na frente no debate de questões consideradas incontestáveis anos atrás, como aborto, casamento entre homossexuais, política de drogas e etc, no Brasil parece que estamos andando para trás. Nem mesmo o debate, a troca de ideias e argumentos é aceito.  Modelos políticos fracassados são afirmados ao invés de surgir novas ideias mais inteligentes e efetivas, criando um contraste vergonhoso entre a economia forte e crescente e o modelo político estagnado e frustrado.

Claro, a bancada religiosa não é o único problema no Congresso, mas não se pode ignorar a proporção e a influência que está se criando sobre as leis e o rumo do país. Quanto mais membros evangélicos como os atuais no Congresso, mais fechadas estarão as portas de liberdade, até que sem mais hipocrisia, de fato o estado deixe de ser laico no  papel.

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