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O La Parola está colhendo e publicando relatos pessoais de quem presenciou as manifestações públicas nas diferentes cidades do Brasil. Se você participou de algum dos protestos e quer ter seu depoimento  publicado, entre em contato pelo nosso facebook ou pelo e-mail contato@laparola.com.br. Será um prazer para nós, publicarmos a sua visão do ato.

Sinta-se à vontade para relatar da maneira que achar mais adequada. Seja em forma de artigo, desabafo, crônica, fotografias, vídeos ou o que for. Permitimos qualquer liberdade criativa neste espaço.

Abaixo, segue o relato de Katiane Landim, que esteve presente na manifestação em Salvador, no último dia 20 de junho.

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Este relato tem minhas impressões pessoais sobre o protesto do dia 20 de junho de 2013 em Salvador.

Ao percorrer o caminho até o ponto de encontro, pude observar que havia pequenos grupos nas paradas de ônibus com seus cartazes e caras pintadas e quando um grupo reconhecia outro era uma festa, pessoas que nem se olham no cotidiano de uma capital com quase 3 milhões de habitantes seguiam unidas na esperança de uma vida mais digna. Cidadãos vindos de outras cidades baianas por  transporte fretado somaram-se aos soteropolitanos na luta ainda em construção por um Brasil melhor.

Nos concentramos na praça do Campo Grande às 14 horas com destino ao estádio Fonte Nova, um destes palácios do futebol superfaturados.

Eram, aproximadamente, 15 horas quando a caminhada iniciou, tranquila, novas palavras de ordem vinham de todos os lados a todo o momento, não havia uma voz única como em outras manifestações populares vistas tempos atrás, moradores dos prédios balançavam lençóis, batiam panelas, mostravam sorrisos esperançosos e até mesmo a barriga, foi quando pude ler ler algo como “FORA FIFA”, escrito sobre um ventre materno.

Em pouco mais de uma hora, chegamos na barreira imposta pela FIFA (visível apropriação do território brasileiro) e protegida pela PM, Cavalaria, Batalhão de Choque e a Força Nacional que já estava na cidade para dar apoio. As bombas de efeito moral podiam ser ouvidas, mas até este momento, ninguém recuou, isso só aconteceu quando os participantes começaram a inalar gás lacrimogêneo que estava sendo carregado pelo vento.

A polícia deixou os manifestantes que estavam na linha de frente ultrapassarem a barreira e seguirem por outra via, não para dar prosseguimento aos protestos, mas sim para encurralar todos estes. Em pouco mais de uma hora de confronto direto, um ônibus foi incendiado e uma barricada com banheiros químicos foi montada, os manifestantes caíram na emboscada e sofreram as consequências por horas.

Protesto-Salvador-20-de-junho-(1)

As pessoas não sabiam mais para onde seguir, estávamos no Vale dos Barris, que tem dois acessos para retorno, alguns optaram por ir em direção à Av. Sete e no meio do caminho foram surpreendidos com bombas de efeito moral e gás, tiveram que voltar. Estávamos todos encurralados e a polícia avançava de longe. Havia somente uma  ladeira estreita para sair de lá.

Pude presenciar um grupo de pessoas com as máscaras do Anonymous se dirigirem violentamente a pessoas que estavam com camisetas de partidos políticos e representação estudantil da ANEL. Enfurecidos, exigiam que as camisetas fossem tiradas e mesmo a bandeira da ANEL, abaixada. Os estudantes ligados a partidos políticos não revidaram e abaixaram a bandeira (gostaria de discursar mais sobre a apropriação do movimento por parte destes manifestantes, não dos partidos políticos de esquerda).

A partir daí ninguém mais sabia para onde seguir, alguns foram para casa, outros, assim como eu, voltaram para a praça para esperar por alguma decisão. Grupos se dividiram, pois não houve acordo nem grupo organizador, alguns mais enfurecidos seguiram para a prefeitura, outros para a Barra e alguns para o Iguatemi. A minha participação neste dia acabou por aí.

Fomos para um apartamento na região dos confrontos e depois de muito tempo ainda ouvíamos barulho de bomba, o cenário de guerra continuou na Av. Centenário.

A Rede Bahia divulgou ontem que 20 mil compareceram, acredito que não é preciso fazer o alerta para o leitor elevar este número.

Relatei aqui a minha visão do acontecido, o meu sentimento de impotência diante da tomada, mesmo que passageira, pela FIFA do território brasileiro, a minha indignação ao ver brasileiros que nunca saíram às ruas andando de mãos dadas com o fascismo e a minha percepção de que o gigante acordou, mas ainda não abriu os olhos.

Protesto-Salvador-20-de-junho-(2)

Texto e fotos: Katiane Landim

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