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Vamos pensar como pensa a maioria. As pessoas não votam em ideias e em planos de governo, as pessoas votam na propaganda. Os verdadeiros vitoriosos de uma campanha política são as pessoas que estão trabalhando na surdina, por trás das câmeras. São publicitários, propagandistas, assessores de comunicação e demais profissionais capazes de moldar um boneco perfeito para que o público pense “esse é o meu candidato”. Em época de eleições, candidato nenhum é humano, todos são seres perfeitos, íntegros, honestos e benfeitores da comunidade. Defeitos? Só os que os concorrentes expõem nas propagandas negativas, que não são poucos e que, diferente da propaganda própria, são verdadeiros. Devemos lembrar que, proporções à parte, o partido nacional socialista sob o comando do mestre da propaganda, Joseph Goebbels, marcou época, ludibriando milhões de pessoas a odiarem o próximo devido a uma ilusão intelectualmente criada por mentes diabólicas. Em suma, a propaganda política foi distorcida. O intuito utópico é promover os candidatos para que a população tome conhecimento de quem está no páreo, mas na prática é outra. Na prática a propaganda é uma lavagem cerebral, uma tentativa de manipulação dos seres conscientes para que ajam de acordo com um condicionamento (Huxley estava certo).

Escondidos sob slogans otimistas e de um futuro melhor os candidatos oferecem o mundo para as pessoas, para o povo. A propaganda é nociva, a propaganda ludibria. Empresas privadas patrocinam potenciais candidatos à eleição com o intuito de receber regalias do governo. Mais, em caso de dúvida sobre quem irá ganhar o pleito, patrocinam mais de uma campanha. Diferente dos futuros distópicos de Orwell e Huxley, gosto de pensar numa utopia sonhadora em que todas as pessoas pudessem pensar com seus próprios cérebros. Em que todas as pessoas pudessem analisar os planos de governo e as propostas em vez de assistir ladainhas que beiram ao cômico na televisão. Se o horário eleitoral é gratuito, por que tanto dinheiro gasto em agências de publicidade e marketing político? É para que o vídeo, a impressão e o áudio possuam maior qualidade. Para que os roteiros sejam mais interessantes. E para que o candidato tenha uma imagem imaculada na mídia. Bastariam debates e divulgação de propostas de forma simples, sem a tentativa de transformar a campanha política num curta-metragem ou minidocumentário sobre a vitoriosa trajetória política de um homem que dedicou a vida à comunidade.

Bem verdade que candidatos encomendam pesquisas eleitorais facilmente distorcidas para enganar a população. Das duas, uma. Ou o candidato publica a pesquisa mostrando que está em primeiro lugar, ou publica a pesquisa mostrando que está em profundo crescimento nos índices. Bem verdade também que os veículos de comunicação encomendam pesquisas “imparciais” para mostrar à população quem está na frente. Ingenuidade pensar que algum eleitor não será influenciado e passará a apoiar quem está na frente ou deixar de votar no candidato desejado para que o desafeto não vença. “Vou votar no Fulano para que o Sicrano não se eleja. O Beltrano não tem chance, vi na pesquisa”. Da mesma forma, os órgãos que se orgulham e estampam a imparcialidade e a responsabilidade social no editorial, oferecem publicidade a candidatos. É imparcial publicar anúncio de prefeito e vereador no jornal? “Sim, vendemos um produto, é como qualquer empresa que queira anunciar no jornal”, poderiam responder. Mas não é bem assim. Estamos falando aqui de candidatos, de pessoas que terão o poder de decidir o futuro da comunidade em quatro anos de mandato e não de uma empresa  que apenas visa a obtenção de lucro. Os eleitores precisam de propostas e não de um sorriso amarelo.

“Mas esse é o sistema, é assim que as coisas funcionam e nada vai mudar”.

Por que não? Basta lembrar que quando o acesso à informação era escasso, quando não tínhamos internet banda larga, o movimento Diretas Já terminou com o regime militar e os Caras-pintas derrubou o então presidente Fernando Collor. A reforma política pode acontecer, está no plano da realidade e não só na teoria. As campanhas políticas podem sim se tornar mais moderadas. Em alguns aspectos isso já está acontecendo. Há anos atrás as cidades eram muito mais sujas e poluídas por santinhos e rostos sorridentes. É possível, mas só quando a política for mais importante que o novo corte de cabelo da Xuxa e que as atualizações de status da Gina indelicada.

Então, vai votar no candidato ou na propaganda?

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Para  complementar o artigo:

Aqui estão as parciais das receitas e despesas das campanhas eleitorais dos quatro candidatos à prefeitura municipal de Passo Fundo. Lembrando que essa é apenas a 2ª parcial. O prazo final, de acordo com o TSE, para a prestação de contas é só após o pleito, dia 6 de novembro para as contas do 1º turno e 27 de novembro para as contas do 2º turno (que beleza).

Receita / Despesa

Bradimir da Silva (PSTU): R$ 200,00 / R$ 157,00
Luciano Azevedo (PPS): R$ 231.754,00  / R$ 224.475,79
Marcelo Zeni (PSOL): R$ 4.000,00 / R$ 3.784,00
Osvaldo Gomes (PMDB): R$ 52.199,10 / R$ 40.000,00
Rene Cecconello (PT): R$ 43.150,00 / R$ 38.269,50

Os detalhes da parcial podem ser pesquisados no site do TSE:  http://inter01.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2012/abrirTelaReceitasCandidato.action

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