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O escritor e poeta irlandês Oscar Wilde construiu sua carreira principalmente na área da dramaturgia. Eis que em 1891, publicou o ensaio “A Alma do Homem Sob o Socialismo”, uma obra revolucionária e questionadora, assim como o espírito do autor. É importante destacar que o século XIX britânico foi marcado pela Era Vitoriana, período de prosperidade que trouxe várias descobertas, pesquisas científicas e a Revolução Industrial.

Nesse contexto, Wilde define o socialismo como solução para se construir não só uma sociedade mais igualitária (no âmbito da renda, da propriedade e da produção), mas principalmente, uma em que a criação artística e o desenvolvimento intelectual sejam estimulados e devidamente apreciados.

Segundo o autor, uma sociedade em que grande parte da população se dedica ao trabalho braçal não favorece a liberdade e fluidez das ideias: um trabalhador que exaure seu corpo e mente em uma longa jornada diária, pouco interesse tem em contemplar a natureza, refletir filosoficamente ou dedicar-se à arte. A solução seria uma “escravidão mecânica”: Wilde acreditava que os avanços da tecnologia permitiriam que, no futuro, as máquinas realizassem os serviços que demandassem grande esforço físico, liberando assim os seres humanos para se entregarem somente aos esforços mentais.

Wilde critica diversos aspectos do comportamento social, mas contesta principalmente a propriedade privada. Alega que a preocupação em acumular bens, o materialismo exacerbado e a não mecanização dos meios de produção são os responsáveis por manter grande parte da população na condição de pobreza; além disso, argumenta que a condescendência e a caridade impedem que as classes mais baixas tomem ciência de sua posição injustiçada:

“(…) A meta adequada é esforçar-se por reconstruir uma sociedade em bases tais que nela seja impossível a pobreza. E as virtudes altruístas têm na realidade impedido de alcançar essa meta. Os piores senhores eram os que se mostravam mais bondosos para com seus escravos, pois assim impediam que o horror do sistema fosse percebido pelos que o sofriam, e compreendido pelos que o contemplavam.”

E assim, o escritor segue dando suas diretrizes para que se possa construir uma nova sociedade baseada no individualismo, que seria objetivo a ser alcançado através da instituição do socialismo. Discorre, inclusive, sobre questões como punição, casamento, autoridade, entre outras; por fim, afirma que somente através do individualismo o homem pode evoluir, pode priorizar a cultura, pode, enfim, ser livre.

Leia abaixo alguns trechos:

“(…) Frei Damião aproximou-se de Cristo quando partiu para viver com os leprosos, porque nessa missão elevou à perfeição o que nele havia de bom. Mas não se aproximou mais de Cristo do que Wagner ou Shelley, que o fizeram através da música e dos versos. Não há só um único exemplo para o homem. Há tantas forma de perfeição quanto existem homens imperfeitos (…)”

“As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; (…) é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a ideia.”

“(…) Nada poderia prejudicar um homem a não ser ele próprio. Nada poderia lesá-lo. O que um homem realmente tem, é o que está nele. O que está fora dele deveria ser coisa sem importância.”

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  • JD Rodrigues

    Individualismo e socialismo não são conceitos opostos?