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Tyler, the Creator é um jovem de apenas 23 anos com uma voz potente e grave, e que anda de skate de meia na canela e touca. Faz o que bem entende para manter um som de qualidade e um entretenimento categorizado pela sua jovialidade.

Líder do grupo Odd Future e com cinco álbuns na carreira, Tyler é marcado desde a sua primeira música como alguém que faz o que quer e assusta os espectadores. Mas não se vá agora! Ele não transforma o seu disco em um circo de horrores, ele apenas usa seu dom para agregar valor à sua música e distorcer a mente, produzindo algo que eu denomino de: ‘Rap com acordeom’.

Tyler nasceu em bairro pobre, filho de pais africanos, sendo criado apenas pela mãe – a história se repete com os grandes – porém Tyler inverteu a lógica do sair para às ruas e ir para as brigas de improviso, ao invés disso ele pegava o dinheiro do aniversário que seria para os brinquedos e gastava em discos, descobrindo um motivo para o seu riso.

Aos doze anos mostrava o seu dom em frente aos pianos. Sozinho aprendeu a tocá-lo, entre outros instrumentos, como a bateria, e até hoje os usa em suas produções.

Produtor provocante, o canadense fez os pianos e os trompetes saírem do alto-falante. Já foi embalador da FedEx e até vendedor da Starbucks, mas sempre soube que seria grande e famoso – mas não tão cedo. Com uma imaginação fértil como somente uma criança criada apenas pela mãe teria, espelhou nas figuras da sua infância em rappers famosos da época, como Eminem. Tendo como referência os grandes filmes americanos – citando Grande Hotel Budapeste como um dos melhores filmes que já viu em entrevista recente – sempre deixou claro que seu objetivo é sempre mostrar quem ele é em sua obra.

“Não há nada perfeito de nada, não há regras, você vive como você quer”

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O promissor rapper alinha todas suas referências de Jazz, soul e funk com sua voz grossa, dando certa lentidão, envolvendo quem escuta, juntando-se à música, seguindo seu ritmo e balançando seus dedos e espírito. Fazendo com que a liberdade que ele sente – e tem – na música, seja no verso ou na batida, se transpasse aos ouvidos e chegue direto à mente, dominando o ouvinte de uma forma que só quem domina a técnica do RAP, e tem o clássico da música como repertório, conseguiria.

Tyler procurou colocar toda essa cultura e conhecimento musical na sua arte. Construindo-se não só como um bom músico, mas como um grande nome do espetáculo, cativando o público em todos os meios. Nos seus clipes e músicas, o cantor procura retratar tudo o que passou. Falando sobre estupros, roubos, violência doméstica e tudo que rondou sua vida sem o menor pudor e de maneira descabida, fazendo um retrato de vida tão impactante que a mensagem chega aos olhos e ouvidos do receptor e os faz esbugalharem e ficar impossível não dar o mínimo de atenção.

Um exemplo prático disso é no clipe da música “Yonkers”, onde Tyler se mata e come uma barata. Na letra, ironiza ao mesmo tempo os Rock Stars falidos que não conseguem mais escrever duas frases, o apego religioso comum no RAP e a necessidade de se vender para conseguir algum dinheiro com música.

Quando perguntado em entrevista qual foi o melhor conselho que ele já recebeu até hoje, ele disse que foi o do Pharrell que disse: “só seja”. Esse conselho parece ser seguido em cada nova música e vídeo do artista. No palco ele prova de forma cada vez mais rica que sabe usar todo seu conteúdo de forma mista para elevar a qualidade instrumental e lírica do espetáculo.

Por ainda ser muito novo como rapper, e mesmo pela pouca idade, tem muito que aprender na hora de produzir e criar seu conteúdo. A principal e praticamente única crítica ao seu trabalho é o uso excessivo de “palavrões”. Mesmo já razoavelmente reconhecido, tendo ganhado alguns prêmios e vendido muitos discos, a sua música ainda não se faz ser ouvida. A evolução parece ser algo natural para o músico. Pelas ótimas referências e pelo espaço que está se mostrando para ele trilhar seu caminho, é questão de tempo para se sagrar na música.

Em entrevista, Tyler fala um pouco sobre sua história e suas referências:

Em parceria com Pusha-T o seu som ‘mais RAP’, mas ainda mantendo algumas características de um flow mais puxado pro funk:

Em seu clipe mais famoso, mostrando porque é considerado chocante:

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