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2015. Você resolve fazer uma festa, então cria um evento no facebook e convida todo mundo. Você resolve reunir a galera que joga poker e cria um grupo no whatsapp. Você resolve fazer um blog e cria uma fanpage pra divulgar os posts. Você precisa fazer um trabalho da faculdade e cria um grupo no facebook para ir compartilhando as coisas.

É tudo muito mais fácil, mas você lembra de como era antes?

Há uns dois dias atrás resolvi preencher o ócio com algo que quase nunca faço (e talvez você também não): limpar minha caixa de entrada do meu gmail, criado em 2007. Por que isso? Não sei, eu estava entediado, mas ali vi várias coisas que me fizeram refletir por horas.

Encontrei várias conversas por e-mail com grupos de trabalhos da faculdade. Encontrei vários e-mail com links compartilhados para uma grande lista de contatos. Alguns de piadas, alguns sobre jornalismo, alguns de datas festivas. Encontrei também vários e-mail sobre reuniões, jantas, aniversários, happy hours e noites de pizza, que alguém criava e mandava para uma lista gigante de outros e-mails. E dava certo, rolava vários eventos combinados por e-mail.

Imediatamente lembrei que ali nessa época, metade dos anos 2000, quando o orkut era maior que o facebook, nos primeiros dias de aula do semestre, uma folha de caderno passava por todas as classes para que a gente preenchesse nossos endereços. Não sei se ainda é assim, mas nos últimos anos de faculdade as listas de e-mails se tornaram grupos no face.

2015. E a comunicação está mais fácil do que há oito anos. Se desenvolveu muito em um espaço de tempo curtíssimo. As respostas não chegavam instantaneamente. Como por exemplo agora, enquanto escrevia esse texto recebi notificações no whatsapp e no instagram. São coisas que poderiam ser lidas depois, mas meu celular, com a wifi ligada, me disse o contrário.

Só mesmo nós, nascidos no século passado, tivemos a oportunidade de vivenciar essa fase de transição tecnológica e comunicativa. Em todo o caso, antes do facebook, do whatsapp e do iPhone, a gente dava um jeito.

Meu e-mail hoje se resume a: newsletters, contatos profissionais, confirmações de cadastro e spam, muito spam. Todas as outras coisas são feitas como descrito no primeiro parágrafo. Afinal de contas, nostalgia é legal, mas parar no tempo não.

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Flaubi Farias

Jornalista, parolo, navegador, alienígena e editor do La Parola.
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