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… você não esteja preparado para ouvir a opinião alheia. Observe bem, ouvir uma opinião divergente não significa necessariamente concordar com ela, mas ter uma mínima noção de que nem todo mundo é igual. Você deveria celebrar isso, pois graças a essas diferenças mentais e culturais que você é você, e não aquela pessoa que você não gostaria de ser. Sacou?

Encarar o contraditório também não significa que você deve ser imparcial como o jornalismo (hahaha não poderia perder a piada), mas saber não levar tudo como verdade absoluta simplesmente porque você gostaria que assim fosse a realidade.

Estamos em 2015 e chegamos na era do jornalismo hiperpersonalizado. Já reservou 5 minutos de sua vida pra pensar como as notícias chegam até você via google ou facebook? Não é novidade que todos estamos sendo vigiados digitalmente. Nossa conduta online reflete na informação que consumimos.

P: Mas como isso?

R: Os algoritmos amplamente desenvolvidos pelo facebook e pelo google, por exemplo, são capazes de mapear todas as suas preferências baseando-se em sua navegação, seja ela interna ou externa.

P: Mas por que fazer isso?

R: Para te manter o mais tempo possível online. E é aí que entra o assunto do contraditório. Você deve ter percebido também que quanto mais vídeos engraçados você curte, mais vídeos engraçados aparece em seu feed. Isso acontece porque quando o facebook lê a sua navegação, ele entende genericamente quais tipos de informação você, em tese, gosta de consumir e quais você não gosta. E é aí que, se nos atermos a essa navegação passiva, sem irmos atrás da informação, mas consumindo apenas o que nos é oferecido, corremos o risco de nos encarcerarmos na pior das prisões: a mente fechada. O google faz o mesmo nas buscas, direcionando sempre “o melhor resultado”.

(Você pode ter pensando que a resposta mais adequada para a pergunta acima seja: para vender anúncios. Sim, também, mas esse assunto não é exatamente o foco do texto, então vamos tentar não desvirtuar o tópico e falar sobre isso em outra hora, talvez)

Escrevi essas palavras inspirado em um capítulo do livro ‘Conecte-se ao que importa’, do jornalista Pedro Burgos. O capítulo se chama ‘Bolha Assassina’. É uma leitura que todos que usam internet diariamente deveriam fazer.

Conecte-se ao que importa - Pedro Burgos

“A história da ciência, da criatividade, da arte, é a história da colaboração entre pessoas de origens, bagagens e visões diferentes. A internet torna esse encontro tecnicamente mais fácil, eliminando as distâncias, mas se ficarmos na zona de conforto, alternando entre Google, Facebook e a meia dúzia de sites que acessamos sempre, dificilmente vamos esgotar todo o potencial da rede.” (Pedro Burgos, Conecte-se ao que importa, p. 161-162)

Entendeu a importância do contraditório? Graças a ele que podemos cair na real e expandir nossa visão para algo que estava obscuro até então, sem nos tornarmos extremistas. Não é absurdo percebermos que todo mundo pensa igual a gente quando estamos apenas atualizando nosso feed de notícias do facebook. Mas isso não é o que acontece na realidade.

Se tratando de política, a coisa ainda é mais grave. Quanto mais você interage com postagens e sites de esquerda, mais boas notícias sobre a esquerda – e péssimas sobre a direita – você visualizará. O oposto é verdadeiro. Um bom exemplo disso é essa fracassada manifestação que aconteceu no ano passado, mobilizada pelas redes sociais. Será que essas pessoas realmente pensaram que todos estavam ao lado delas ou foram enganadas pela bolha assassina?

“Reforçar nossas convicções e ter a sensação de que estamos sempre certos parece sedutor, mas não é saudável para o nosso cérebro ou para a sociedade no longo prazo.” (Pedro Burgos, Conecte-se ao que importa, p. 163-164)

Vou confessar uma coisa: vocês não sabem (ou sabem?) como é bom não se ofender com ideias divergentes e não fazer papelão nos comentários de um portal qualquer tentando catequizar os outros, mostrando “a verdade que vai deixar você sem argumentos”.

É libertador!

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